sábado, 21 de dezembro de 2013

UNICISMO OU MODALISMO - UM DEUS MULTI-FACIAL



UNICISMO OU MODALISMO - UM DEUS MULTI-FACIAL

Introdução:

O Unicismo ou modalismo advoga que existe um Deus, o qual se manifesta em três essências ou modos(pai, filho e espírito santo), só de ouvir esta história de três(03) alguma coisa, nos vem logo a mente uma outra doutrina semelhante(trindade), dai que vem o nome modalista, referindo-se aos modos pelos quais a divindade tem se manifestado.
Na visão desta facção religiosa, O Eterno, O Messias e A Ruach haKodesh/Espírito Santo são manifestações de uma única e singular pessoa, D’us,  de modo que não creem que o Pai e o Filho Yeshua sejam seres distintos, este artigo abordará esse engano sutil e mentiroso mostrando que tanto o unicismo como o trinitarianismo tiveram a mesma origem, isto é, na religião cristã greco-romana.

Objetivos:

* Mostrar aos que estão sendo enganados por esta doutrina pagã greco-romana o verdadeiro caminho do monoteísmo hebraico-judaico bíblico.

* Desmistificar a falsa ideia das supostas três essências.

* Dar suporte bíblico aos que estão sendo assediados por unicistas de plantão.

* Conduzir almas sinceras à verdadeira Fé Patriarcal unitariana.

* Abordar o assunto dentro do contexto hebraico das Escrituras, utilizando sempre q/ possível a Lashon haKadosh, língua do povo do Eterno.

* Identificar  as diversas igrejas e denominações cristãs que seguem o dogma unicista na atualidade.

O Unicismo não é um ensino bíblico:

A doutrina que prega que o Eterno é formado de 3 pessoas, é a doutrina da Trindade, para ver as provas bíblicas contra essa outra doutrina romana, veja o artigo TRINDADE OU D’US ÚNICO em nosso blog.
O Dogma unicista prega que Yeshua é tanto o D’us filho, como o D’us Pai e o D’us Espirito Santo, este ensino é um pouco diferente do dogma da trindade que prega que Adonai é formado de 3 pessoas distintas, e também difere da crença  hebraico-judaica bíblica sobre o Unitarismo do Shemá do Eterno (ver Deuteronômio 6:4).
Pois para nós Nazarenos históricos, o Eterno é um ser  INDIVISÍVEL, UM SÓ, ÚNICO, ÍMPAR, SINGULAR e INCOMPARÁVEL, mas que criou um ser  que se tornou seu filho primogênito distinto dele como pessoa, que lhe é submisso e que cremos que Ruach haKodesh/Espirito Santo seja a emanação da parte de D’us para realização de seus propósitos, sendo assim o próprio Eterno na manifestação de si mesmo.

Histórico da heresia unicista:

A origem do unicismo se prende aos primeiros séculos da Era Cristã. Os mais antigos relatos que se têm notícia são de Praxeas ensinando na Ásia Menor, enquanto Noeto aparece pregando em Roma. Noeto foi quem primeiro formulou uma teologia essencialmente unicista. Ele foi bispo católico de Esmirna, quando por volta de 180 E.c. começou a ensinar o que mais tarde seria conhecido como Monarquianismo. Saiu da igreja de Esmirna por causa de sua insubmissão ao arcebispo, Noeto se refugiou em Roma, onde mais tarde conheceria Epigonus, primeiro discípulo e propagador de sua ideias.
Outro destacado líder do unicismo por essa época foi Praxeas. Oriundo da Ásia Menor, Praxeas era conhecido por seu gênero inquieto, arrogante e perspicaz. Ele chegou a Roma de maneira sutil, passando despercebido até mesmo pelo experiente Hipólito. Formado aos pés de Noetos, Praxeas desenvolveu boa parte de seu ministério em Cartago, onde encontrou forte oposição por parte de Tertuliano. Praxeas negava a pre-existência de Yeshua, usando o termo “Filho” aplicado apenas à encarnação. Segundo este bispo, o Filho seria carne; o Pai Espírito (D'us). Era assim que Praxeas entendia as duas naturezas do Messias, sendo hoje um dos principais artifícios do unicismo moderno. Essa doutrina foi combatida por Tertuliano em Contra Praxeas, quando pela primeira vez o apologista Tertuliano usa o termo trínitas (trindade) para a divindade.
O unicismo, enquanto tentativa de explicar a natureza do Eterno, ganhou corpo a partir do terceiro século. Movido pelo racha do Monarquianismo em Dinâmico e Modalista, ainda no fim do segundo século, Sabélio, um bispo católico de uma igreja do norte da África , saiu em defesa do Modalismo. Sabélio estabeleceu novas diretrizes ao unicismo, do que lhe valeu o título de “maior defensor do Modalismo (unicismo) da História”. Muitas das definições que conhecemos hoje, como “modos do Pai”, “modos do Filho” e “modos do Espírito Santo”, tiveram origem no bispo Sabélio. Apesar da oposição imposta por parte de alguns lideres da igreja na época, entre eles Tertuliano e Orígenes, Sabélio “progrediu”, encontrando na massa dos fieis seus principais seguidores.
Sabélio teria sido influenciado por Noeto, um presbítero católico da igreja da Ásia Menor, nascido em Esmirna que viveu no segundo século E.c., o qual, segundo a citação feita por Hipólito, teólogo romano do terceiro século, que em sua obra Contra Noetum, menciona que Noeto teria afirmado:

"Digo que Cristo era o mesmo Pai, e que o Pai era o que havia nascido, padecido e sofrido"

Certamente esta era mais uma das provas de que o conhecimento teológico, ou verdadeiro conhecimento sobre D’us estava sofrendo um desvio e deturpações.

A falácia unicista foi profetizada pelo apóstolo Pedro:

Kefa/Pedro apóstolo do Messias, usado pela Ruach do Eterno, profetizou que iriam surgir falsos ensinos que chegariam ao ponto de se negar  a obra do Messias como o enviado do Eterno, anulando assim todo trabalho intercessório de Yeshua, transformando toda a obra do Messias de Yisrael num grande Teatro greco-romano:

"No passado apareceram falsos profetas no meio do povo, e assim também vão aparecer falsos mestres entre vocês. Eles trarão heresias perniciosas e rejeitarão o Mestre que os resgatou. E isso fará com que caia sobre eles uma rápida destruição" (II Pedo 2:1)

Rejeitar a criação e filiação de Yeshua, não  aceitando que um ser distinto do Pai se entregou para ser sacrificado e se tornar resgatador e comprador de um povo para D’us, é repudiar nosso Mestre e Senhor transformando toda a obra do Messias num TEATRO GRECO-ROMANO, pois, se o Messias sempre foi o Eterno encarnado, então tudo que ele sofreu, seu escárnio, suas dores e seu martírio foi uma grande ENCENAÇÃO para nos enganar. Isso sim é um desvio claro da verdade sobre a vinda do Messias descrita no Tanach hebraico.

Variação da crença unicista ressurge mais tarde e com mais força:

Na era moderna, esta doutrina maléfica romana ressurgiu e gerou divergências  dentro de algumas denominações protestantes, como da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, cujos  dissidentes passaram a reunir-se e organizar uma forma de adoração centralizada nos conceitos unicistas de John S. Sheppe, como também outra variação da crença unicista foi pregada por um falso profeta  norte-americano chamado William Marrion Branham(1909)  pastor da Igreja Batista que mais tarde fundaria a Igreja Pentecostal Tabernáculo da Fé após ter tido diversas “visões”, a mesma crença unicista também impregnou uma parte do dito judaísmo messiânico também oriundos da denominação protestante “judeus para Jesus” transformando-se depois em várias denominações menores, todas se auto classificando de “netzarim” ou "nazarenos" e reivindicando para si “autenticidade”.

Principais ramificações e facções unicistas no Brasil:

Hoje existem várias denominações e facções cristãs do unicismo no mundo, no Brasil, seis principais grupos se destacam, a saber:

1- Igreja de Deus no Brasil.
2- Igreja Local de Witnees Lee.
3- Igreja Pentecostal Tabernáculo da Fé.
4- Igreja de Deus do Sétimo Dia.
5- Ministério A Voz da Verdade.
6- Os Adeptos do Nome Yaohushua e suas Variantes Judaizantes de falsos nazarenos.

Observem que esta heresia perniciosa se originou e manifestou-se exclusivamente dentro da Grande Babilônia e suas Filhas, tanto o trinitarianismo como o unicismo são faces de uma mesma moeda romana, apenas com conceitos diferentes, enquanto que um prega um só deus dividido em três(03) pessoas distintas o outro prega um só deus dividido em três(03) essências ou modos. Observem e comparem estas duas declarações de fé, uma católica e outra unicista:

«Nós acreditamos com firmeza e afirmamos simplesmente que há um só Deus verdadeiro, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável representado no PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO: Três Pessoas, mas uma só essência, uma só substância ou natureza absolutamente simples» (Catecismo da Igreja Católica Apóstólica Romana, Profissão de Fé, Capítulo primeiro, Artigo 01/ disponível em http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html )

«Cremos que YHWH é UM (echad), ou seja, apenas 1 (uma) Pessoa, e não Três. Cremos que YHWH pode se manifestar de formas plurais, conforme atesta a Torá. Cremos que YHWH revela a si próprio pelas K’numeh ou Gaunin (essências, naturezas, manifestações) do PAI, do FILHO (= a Palavra/Memra) e da RUACH HAKODESH (Espírito de santidade/ESPÍRITO SANTO). Cremos que o PAI, o FILHO Yeshua (Palavra) e a Ruach HaKodesh(ESPÍRITO SANTO) são manifestações do mesmo YHWH» (Declaração de Fé do dito “Judaísmo Nazareno Unicista”, declaração nº 01, disponível em http://www.judaismonazareno.org/nossa-fe/ )

Vemos que ambas as declarações de fé tendem a DIVIDIR o Eterno em três pessoas ou três essências ou três modos diferentes, em ambas as declarações notamos a forte influência romana por trás destas duas religiões, num bom português popular “é tudo farinha do mesmo saco”.

O unicismo nega a pre-existência do Messias:

O unicismo nega qualquer possibilidade da preexistência do Messias. Por quê? Porque isso colocaria em risco sua falsa doutrina das múltiplas essências. Além de negar a preexistência do Messias, os unicistas apontam para o dia quando D’us “deixará de assumir seu papel de Filho e a filiação será, mais uma vez, absorvida pela grandeza de D’us, que retornará a seu papel original como Pai, criador e soberano de tudo”. O que não se entende com relação ao unicismo, é o porquê de todo este malabarismo divino. A descrição que eles fazem de D’us é, sem dúvida alguma, uma verdadeira encenação teatral. É justamente esse o conceito que se tem do Filho – a de um personagem usado temporariamente pelo Pai num grande teatro divino. Consequentemente, não haveria a pessoa do Messias feito Filho de D’us como pessoa espiritual, porém o apóstolo Shaul/Paulo joga por terra este conceito unicista ao declarar:

“O qual foi pelo Eterno, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, quando diz respeito ao seu Filho nascido da descendência de Davi pela carne e foi declarado Filho de D’us após sua Ressurreição dentre os mortos, segundo o Espírito de santidade, Yesua haMashiach nosso Senhor” (Romanos 1:2-3)

Isto é, o Messias pre-existia na mente de D’us, foi o primogênito da criação do Eterno(ver Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14) passou a existir como pessoas após seu nascimento de Myriam, nascido da semente de Yosef seu pai natural por intervenção da Ruach do Eterno, foi declarado Filho de D’us após sua Ressurreição, portanto, o Messias é uma pessoas distinta do Eterno, não há como fugir disso.

Analisando um pouco as Escrituras:

Vejamos apenas rapidamente alguns textos que nos mostram a incoerência deste falso ensino, para que tal doutrina fosse plausível, possível e lógica, Yeshua em nenhuma hipótese poderia ter falado ou conversado com um outro ser em oração que também fosse reconhecido como D’us, pois desta forma ele estaria falando com outra pessoa o que do ponto de vista unicista é inconcebível.
Alguns falam de Yeshua ter falado com sua natureza divina no céu enquanto sua natureza humana estava na terra, mas isso não tem nexo e nem apoio bíblico, sendo necessário o uso de achismos e opiniões subjetivas não respaldadas ou substanciadas nas Escrituras, vejamos alguns textos que nos mostram de fato a realidade, nestes textos é evidente a comunicação entre duas pessoas ou que existe duas pessoas mencionadas, e não uma, como pregam os defensores unicista, doutrina esta  que prega que Yeshua é tanto Pai como o Espírito.
* Daniel 7:13-14 = O Filho de homem (representado pelo Messias) se aproxima de outra pessoa (D’us)
* Salmo 110:1 = O Eterno diz ao senhor de Davi que sente ao seu lado, há dois seres aqui.
* Provérbios 30:4 = Nos esclarece que D’us tem um filho, e pergunta-nos qual é o nome dele.
* Mateus 26:42  = Yeshua ora a alguém que ele identifica ser seu Pai.
* Mateus 7:21 = Yeshua fala que a vontade de outra pessoa que está no céu é que deve ser obedecida
* Mateus 11:25-27 = Mostra claramente que O Pai e Yeshua são duas pessoas distintas, e não que só exista Yeshua.
* João 8:17-18 = Yeshua cita ele e seu Pai como sendo DUAS PESSOAS ou dois homens [δύο ἀνθρώπων].
* João 12:28  = Neste texto diz que uma voz, e não era a de Yeshua, Falou desde o céu.
* João 20:17 = Aqui vemos que o filho tem um Pai que também é seu D’us
Apocalipse 3:12 = Yeshua menciona várias vezes alguém que ele mesmo chama de seu próprio D’us.
* Apocalipse 3:14 = Yesua se identifica como o principio de criação do Eterno, e qualquer ser racional sabe o que quer dizer a palavra princípio e também criação. (ver dicionário)
* Colossenses 1:15 = Diz aqui que ele é a imagem do D’us invisível, não que ele seja o D’us invisível, diz  também que ele é o primogênito (ver no dicionário o que quer dizer essa palavra) diz ali também que ele é primogênito de toda criação, ou seja, existe uma criação feita pelo Eterno e isso é evidente, desta criação, Yeshua é o primogênito, o primeiro a ser criado ou gerado. 
Será que Yeshua poderia tomar iniciativa em fazer algo independente da vontade de outra pessoa, que era superior a ele? Veja você mesmo a resposta em João 5:19.
Yeshua tem autoridade  no céu e na Terra?   A resposta é sim! Mas veja se ele sempre teve plenos poderes sobre o universo, ou se isso lhe foi dado por alguém.(ver Mateus 28:18). E note que Yeshua depois de cumprir seu papel qual Rei, intercessor, mediador da humanidade e vindicador de YHWH D’us, irá entregar o Reino a seu D’us e Pai, sujeitando novamente todas as coisas a D’us e se sujeitando a ele também, para que D’us seja tudo e em todos. (ver 1° Corintios 15:24-28)
Só não vê a nítida distinção e a existência de uma outra pessoa superior quem não quer ver. O fato de ser dito que é a imagem de D’us não diz que ele é o único nem que é O Pai, o ser humano também foi  feito a imagem de D’us e não é D’us. (ver Gênesis 1:26)
É interessante que muitos unicistas usam o texto de João 10:30 para tentar provar que Yeshua é o próprio Pai. Mas perceba bem neste texto que Yeshua não diz: "Eu sou o Pai", mas sim que ele e o pai [ἐγὼ καὶ ὁ πατὴρ] eram um, e depois orou para que seus discípulos todos fossem um, tal qual ele era um com o Pai. (ver João 17:11). Assim, fica bem evidente o que Yeshua queria dizer, ou seja, ele estava unido num só propósito com Adonai, e por isso ele e o Pai eram um, assim deveriam ser seus servos.
Seria desnecessário o apóstolo Paulo dizer aos judeus nazarenos do passado que há somente um só D’us, e que ele é o Pai, e logo em seguida mencionar que há um só senhor, Yeshua haMashiach, se na realidade eles não fossem duas pessoas, ou que os judeus nazarenos do passado acreditassem no unicismo(doutrina que surgiria séculos mais tarde após a apostasia). Porém, os unicistas não podem crer que haja duas pessoas, pois se assim passarem a crer, já não creem mais na unicidade conforme tanto pregam (ver 1° Corintios 8:5-6). Do mesmo modo os nazarenos do passado JAMAIS creram no unicismo, se não, Paulo não teria feito esta declaração em 1º Coríntios 8:6

Os unicistas modernos são lúcidos o bastante para compreenderem que D’us não pode ser três pessoas, mas ilógicos o suficiente para não entenderem que o Filho e O Pai não podem ser apenas "roupagens" diferentes de uma mesma pessoa. O próprio Yeshua disse que não glorificava a si mesmo, mas sim que seu Pai é que o glorificava, e acrescentou que este era o ser que os judeus professavam ter como D’us. (ver João 8:54). E se conforme Efésios 4:6, D’us é PAI de todos, e Yeshua disse que D’us é seu Pai, então logicamente Yeshua também esta incluído entre o TODOS, dos quais Adonai é tanto seu Deus como Pai.
Yeshua ao mencionar para haSatã aquele a quem unicamente ele devia adoração, citou a si mesmo? Claro que não, pois Yeshua citava outra pessoa, pois haSatã não iria solicitar adoração do próprio YHWH D’us Eterno, ele não se atreveria a tanto, mas sim de um ser que possivelmente poderia se corromper ou rebelar contra D’us. (ver Mateus 4:10)

Vocês conhecem os pronomes?   Nós, vós, eles? Quando Yeshua disse: "E é somente a ELE que tens de prestar serviço sagrado", estava Yeshua falando de si mesmo ou de uma outra pessoa? (ver João 16:3). Salmo 110:1 deixa bem claro que Adonai convoca Yeshua para sentar-se ao seu lado direito até que seus inimigos estejam debaixo dos seus pés.   Veja também Mateus 22:41-45. O Tetragrama ou nome divino, ocorre neste texto de Salmo 110:1 apenas uma vez, e a outra ocorrência da palavra senhor no versículo não traduz o tetragrama, mas sim a palavra Adonay, vejamos o texto hebraico:

לדוד מזמור נאם יהוה לאדני שׂב לימיני עד אשׂית איביך הדם לרגליך - Tehillim/Salmos 110:1

LeDavid mizmor ne'um YHWH l'adonay sheb liymiyniy ad ashiyt oyebeykha hadom leragleykha - Tehillim/Salmos 110:1

"De Davi. Salmo. Disse YHWH ao meu senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo de teus pés" (Salmos 110:1)

Assim, vemos claramente uma distinção sendo feita entre as personalidades mencionados. Filipenses 2:9-11 nos indica que Yeshua tem a posição que tem por que Adonai colocou ele nesta posição, e está claro que se ele sempre detivesse a posição suprema, como poderia ser exaltado soberanamente e lhe dado uma posição superior, se ele sempre retinha a maior posição? Conseguem entender a questão? João 1:1 também nos mostra que apesar do verbo também ser divino, ou seja, um Elohim, ele estava no principio com o Eterno.  Leiam também estes textos e vejam se Yeshua estava falando dele mesmo: Mateus 11:27 / João 3:35

O texto de 1° Corintios 15:27 nos mostra que o Eterno D’us, O Pai, sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Yeshua, mas segundo o próprio texto, se exclui ou excetua-se o próprio Pai. Assim o que vemos é que tudo esta debaixo dos pés de Yeshua ou em outras palavras, sujeito a ele, menos o Pai, e como vimos acima em Salmo 110:1, tudo fica sujeito a Yeshua por que assim o Pai deseja. Em João 14:8-10 diz:

"Filipe disse-lhe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso chega para nós. Yeshua disse-lhe: Tenho estado tanto tempo convosco e ainda não vieste a conhecer-me, Filipe? Quem me tem visto, tem visto [também] o Pai. Como é que dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu esteja em união com o Pai e que o Pai esteja em união comigo?"

O texto rezaria literalmente: "Eu estou com o Pai e o Pai com eu está." Não existe base escriturística para entender que Yeshua dizia que ele e o Pai eram a mesma pessoa. O que podemos deduzir do texto, é que Yeshua estava revelando a seus discípulos que ele agia e os tratava como O Pai os trataria.  Era como se ele dissesse, tal como o Pai, assim é o filho. Yeshua mesmo disse: "O Pai é MAIOR do que EU" (ver João 14:28). Aqui temos Yeshua obviamente revelando sua natureza subordinada, não sendo uma frase que expressa uma condição temporal, mas uma realidade constante.  Não existe base para alegar que esta condição seja apenas enquanto esteve na terra como humano.
E continuou sendo assim após a ascensão dele aos céus. (ver 1° Coríntios 3:22-23  e 11:3)
  
Isaías 42:1 diz: "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios".

O Eterno está falando dele mesmo, ou de outra pessoa? comparar com Mateus 3:16-17. Também veja que o próprio Yeshua disse que o Pai era uma pessoa a parte dele, pode ler isso em João 8:17-18, onde Yeshua esta declarando que na Torah, o testemunho de duas pessoas é tido como verdadeiro, assim Yeshua cita ele como uma testemunha e o seu Pai como sendo outra, ou seja, duas pessoas.

Eu poderia citar dezenas de textos para  mostrar o erro de crer que Yeshua é o próprio Eterno e o Espirito Santo, mas se a pessoa estiver predisposta a não querer enxergar as evidências bíblicas, pouca adiantará o nosso esforço. Mais do que argumentar, é necessário que a pessoa seja capaz de assumir que está equivocada e iniciar uma busca por maiores explicações. Isso obviamente requer humildade de espírito.

Conclusão:

Este artigo não se resumiu em provar os erros teológicos de uma facção religiosa unicista e  judaizante que se auto denominam “judeus nazarenos” ou “judaísmo nazareno”, pelo simples fato de não haver judeus vindos do judaísmo comum que aceite este dogma,  ao contrário, o artigo mostrou como e onde surgiu esta doutrina errônea, a saber, dentro da Babilônia apostatada, ou seja, do cristianismo dos primeiros séculos que se tinha afastado de livre escolha da Fé e Raízes judaica dos apóstolos do Messias.

Sendo uma doutrina estranha à Fé judaico-hebraica  e nascida no seio de Roma, não seria de se admirar que ainda hoje o cristianismo reproduzisse tal doutrina, por isso foi de muita valia deixar os leitores informados sobre todas as igrejas e denominações cristãs que também adotaram o  unicismo como um dogma de fé, sendo representado ao lado do trinitarianismo como a segunda maior corrente religiosa mais seguida dentro do cristianismo.

Todos os que são chamados a retornar a Fé Patriarcal, judeus e não judeus, que estão em processo de Restauração precisam ficar alertas, não adianta dizer que fizeram Teshuvá mas trouxeram um pedaço de Roma em suas bagagens, tais pessoas podem ter saído de Roma, mas Roma ainda não saiu de dentro destas pessoas, Yisrael nunca acreditou na vinda de um D’us encarnado, isto jamais passou pela mente de um judeu, os judeus nazarenos do passado JAMAIS creram no unicismo, pelo simples fato desta doutrina ter surgido séculos mais tarde já na apostasia cristã, por isso, dirijo-me aos sinceros de coração que pensam estar no caminho certo mas que ainda continuam enganados pelo mesmo sistema religioso romano, apenas com uma outra máscara, abram os corações e estudem mais a Palavra de D’us, pois, a Palavra do Eterno é uma Palavra que liberta e, como disse o apóstolo Shaul/Paulo:

“......para que destas coisas vãs vos converteis ao D’us Vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo que neles há” (Atos 14:15)




Rosh: Marlon Troccolli


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O HISTÓRICO DO JUDAÍSMO NAZARENO


O Histórico do Judaísmo Nazareno

Introdução:

Este artigo baseia-se em pesquisas históricas cujas fontes estarão disponíveis ao longo do desenvolvimento do mesmo, e destina-se a reforçar a Fé Patriarcal de nossos irmãos judeus que reconheceram em Yeshua haNotseri o Mashiach de Yisrael, bem como de nossos irmãos gentios que aceitaram o D'us de Yisrael sendo enxertados na boa Oliveira e participam da mesma Fé de nossos patriarcas.

Este artigo também mostra como se deu o surgimento da primeira Congregação Nazarena de Yerushalaim, sua separação dos gentios ditos cristãos e os vestígios arqueológicos deixados por estes fiéis, cuja vida foi uma constante perseguição primeiro de seus próprios patrícios, depois pelo império romano e por fim pela cruel igreja cristã que os rotulou de hereges perseguindo-os como animais.

Objetivos:

* Reforçar a Fé dos nazarenos modernos ao conhecerem seus irmãos do passado.

* Servir como material de pesquisa bibliográfica sobre os judeus notserim.

* Esclarecer a posição nazarena em relação aos vários grupos ditos judaicos messiânicos.

* Mostrar como se deu a separação definitiva dos gentios que adotaram a religião de Roma.

* Fundamentar a Fé Notserit mediante a historicidade e achados arqueológicos da época.


Investigação Profética:

Há várias profecias que declara que o Messias de Yisrael seria chamado de Notser ou Nazareno, eis uma delas:

"Do tronco de Jessé sairá um Notser, e de suas raízes um renovo" (Isaías 11:1)

Esta descrição do Messias judeu foi reconhecida nos Evangelhos quando é declarado: "....e ele será chamado Nazareno" (Mateus 2:23), ora se o verdadeiro Messias de Yisrael era chamado de o nazareno, então como os seus seguidores também seriam chamados??? Leiamos na Bíblia:

"Porque, tendo nós verificado que este homem(Shaul/Paulo) é um agitador e promove confusão entre os judeus espalhados por todo o mundo, sendo ele mesmo também um dos principais líderes da seita dos Nazarenos" (Atos 24:5)

Reconhecidamente tanto os apóstolos como os seguidores de Yeshua eram chamados e reconhecidos como os nazarenos, e quem eram os nazarenos, como eles viviam????

Os primeiros seguidores de Yeshua, liderados por Tiago e Pedro, fundaram a Congregação nazarena de Jerusalém após a ascensão de Yeshua, eles eram chamados de Nazarenos e relativamente a todos os preceitos judaicos suas crenças eram indistintas das dos Fariseus, com exceção de que acreditavam na ressurreição de Yeshua e que Yeshua era realmente o Messias prometido a Yisrael. Eles não acreditavam que Yeshua era um novo “deus”, mas acreditavam que por milagre de D’us, ele tinha sido trazido novamente à vida após sua morte no madeiro e breve voltaria para completar sua missão e iniciar seu reino messiânico na terra. 
Os Nazarenos não compactuavam de que Yeshua havia abolido a religião dos Patriarcas ou a Torah Sagrada. Por terem conhecido Yeshua pessoalmente, eles estavam seguros de que ele observara a religião dos Patriarcas de Yisrael toda a sua vida e nunca havia se rebelado contra ela. Suas curas aos sábados não eram contra a Torah.

Os Nazarenos, eram eles próprios bastante fiéis às Mitz’vot/mandamentos religiosos hebraicos. Eles praticavam a circuncisão não comiam das comidas proibidas e demonstravam grande respeito ao Templo. Também não se consideravam como pertencendo a uma “nova religião” mas eram reconhecidos como parte do judaísmo daquela época; sua religião era o judaísmo praticado pelos profetas. Estabeleceram Sinagogas para seu uso, mas também compareciam às Sinagogas não Nazarenas ou rabínicas em certas ocasiões e realizavam o mesmo tipo de liturgias nas suas sinagogas que os demais judeus praticavam.

Nazarenos filosoficamente refere-se a todos os seguidores Israelitas e estrangeiros (gentios crentes) em Yeshua haMashiach e todos observadores da Torah. Notser ou Notserim em absoluto não se aplica aos moradores da aldeia de Nazaré ou Natzerat( נָצְרַת ), mas um grupo escatológico profético que acreditavam ser os eleitos do Eterno em seu filho Yeshua, para andar e proteger o caminho da verdade, vejam algumas profecias a respeito dos nazarenos:

ועמך כלם צדיקים לעולם יירשׂו ארץ נצר מטעו מעשׁה ידי להתפאר - Isaías 60:21

Ve amekh kulam tsaddiykym le'olam yiyrshu arets Notser mata ma'aseh yaday lehitpa'er - Isaías 60:21

E todos os do teu povo serão justos; para sempre herdarão a terra; serão Notser(nazareno) por Mim plantados, obra das Minhas mãos, para que Eu seja glorificado” (Isaías 60:21)

כי ישׂ יום קראו נצרים בהר אפרים קומו ונעלה ציון אל יהוה אלהינו - Jeremias 31:6

"Kiyesh yom kare'u Notserim behar Efrayim kumu vena aleh tsiyon'el Adonay Eloheynu" - Jeremias 31:6

Pois haverá um dia em que anunciarão os Notserim(nazarenos) sobre o monte de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Tziôn, a Adonai nosso D'us” (Jeremias 31:6)


O termo “nazareno” vem da palavra hebraica “נצר - Notser”, que quer dizer: ramo, broto, rebento, remanescente. Ainda relacionado a palavra “Notser”, temos as mesmas consoantes, da mesma raíz, e que forma a palavra: “Notser”; e tem o significado de: observar, cuidar, guardar, proteger, preservar, seguir (Mandamentos), manter em oculto. Encontramos 74 vezes no Tanach as mesmas consoantes, as vezes “Netser, Natser, Notser”, e na maioria das vezes está relacionado ao Eterno como guardião e protetor da Torah e de seu povo Yisrael, também está relacionado com o Messias como guardião da verdade e da compaixão, e uma vez como Ramo e rebento da casa de David (que se repetirá em Mateus 2:23), e uma vez referente aos Remanescentes seguidores do Caminho de D’us, plantados pelo Eterno (que se repetirá em Atos 24:5 “os Notserim”). 

Muitas vezes refere-se àqueles que observam e guardam o Testemunho de D'us e seus Mandamentos (Apocalipse 12:17 e 14:12)  e ainda aqueles que se mantém fiéis e firmes na Verdade da Torah, tem ainda os significados de: Guardião, Protetor, Atalaia, Seguidor, Mantenedor dos segredos. Este termo também refere-se ao futuro Teshuvá-retorno para o Eterno que farão os da casa de Efrayim/as dez tribos perdidas da Casa de Yisrael depois de um longo período vivendo no gentilismo como se fossem gentios pagãos. 
Portanto a Casa de Efrayim é o filho pródigo que voltará e já está voltando para casa e para os braços do Pai Eterno com grande júbilo e alegria. E também provocando ciúmes no seu irmão Judá por causa do seu retorno.

Investigação Histórica:

Jerônimo era um padre católico, que a mando do papa Dâmaso foi incumbido de traduzir as Escrituras para o Latim, que já no quarto século era a língua litúrgica da igreja de Roma.
A pesquisa começou em 1986, quando encontramos esta declaração de Jerônimo, que ele escreveu no quarto século:

“Mateus, também chamado Levi, e que de publicano se tornou apóstolo, primeiro de tudo produziu um Evangelho do Messias na Judeia, na língua e nos caracteres hebraicos, para benefício dos da circuncisão que haviam crido, Não se tem suficiente certeza de quem o traduziu mais tarde para o grego. Ademais, o próprio em hebraico está preservado até hoje na Biblioteca de Cesareia que o mártir Pânfilo ajuntou tão diligentemente. Os Nazarenos, que usam este volume, na cidade Síria de Bereia, permitiram-me também copiá-lo”  (Obra de Jerônimo: “De Viris Inlustribus” [A Respeito de Homens Ilustres] – Capítulo III – Tradução do Texto Latino editada por E. C. Richardson e publicado na série – Texte und Untersuchungen zur Geschichte der Altchristlichen Literature — Volume, 14, Leipzig, 1896, páginas 8 e 9.)

Nesta declaração encontramos algumas verdades históricas que devemos Restaurar:

1. Mateus escreveu o Evangelho que leva o seu nome em Hebraico.

2. Não se sabe quem traduziu esse Evangelho Original “mais tarde” para o grego, o tradutor ou tradutores eram desconhecidos. Isto indica que traduções para o grego são posteriores aos originais em hebraico.

3. Esse Evangelho de Mateus em Hebraico, na época de Jerônimo, ainda estava preservado na Biblioteca de Cesareia.  Por que ele se perdeu? O que fizeram como ele?

4. Os Nazarenos tinham um exemplar desse Evangelho e emprestaram para Jerônimo copiá-lo.

Isto significa que no quarto século ainda podemos encontrar os judeus Nazarenos, mas eles, como nós podemos perceber, não pertenciam à mesma igreja de Jerônimo, ou seja, eles não eram católicos romanos, eles eram Notserim. Tinham um nome, tinham uma identidade que os diferenciava da religião oficialmente estabelecida na época do papa Dâmaso.

Nossas pesquisas e investigações documentárias se voltaram, então, para responder algumas perguntas: Quem eram Os Nazarenos? Por que usavam o Evangelho de Mateus em Hebraico e não as cópias em Grego que já circulavam no meio católico? Em que eles criam? Por que não estavam unidos com a religião do império que tinha sua sede em Roma? Finalmente queríamos entender e compreender a Origem dos judeus Nazarenos.

As respostas a estas perguntas formaram um grande acervo de Documentos históricos que formam um panorama histórico surpreendente.

Os Nazarenos e a Cidade de Pella:

Pella foi uma antiga cidade, cujas ruínas constituem atualmente um sítio arqueológico que se situa na aldeia de Tabaqat Fahl, no noroeste da Jordânia. O local encontra-se no vale do Jordão, muito perto da fronteira com Yisrael, 80 km ao norte de Amã e 40  km a oeste de Irbid. Após a conquista romana por Pompeu na primeira metade do século I a.a.c., a cidade prosperou ainda mais, tendo então desaparecido a maior parte das construções helênicas. Ainda hoje subsistem ruínas espetaculares desse período, durante o qual Pella foi uma das cidades que compunha a Decápolis mencionada nos Evangelhos.
Com a destruição de Jerusalém pelo general Tito, os Nazarenos se Refugiam nesta cidade. Nossa pesquisa nos remete aos anos 66 ec. e 67 ec. A cidade de Jerusalém estava sitiada. Vespasiano tinha cercado a cidade com os exércitos romanos, mas, inesperadamente foi chamado para Roma, pois o imperador tinha falecido, por essa razão, o próprio Vespasiano foi declarado Imperador. Com a ida de Vespasiano para Roma, o cerco de Jerusalém foi levantado e foi esse o momento que os discípulos esperavam, aproveitando a retirada dos exércitos romanos e em cumprimento da advertência que encontramos em Lucas 21:20-21, eles fogem para além do rio Jordão. A cidade foi destruída pelo general Tito no ano 70 ec.


Ruínas da antiga cidade de Pella

As fontes de pesquisa apontam como lugar principal de refúgio uma cidade chamada Pella. Vejamos o Comentário de uma Enciclopédia e ver como a história comprova que os discípulos saíram da cidade de Jerusalém antes de sua destruição:

“A Comunidade que imigrou de Jerusalém, ao início da guerra de Vespasiano com os judeus, ficou refugiada nas regiões da Galileia, Judeia e Samaria, ao oriente, e ao sul, no Egito, sendo encontrados até o final do século IV na região de Perea na cidade de Pella”  -(Enciclopédia Italiana – Vol. V, página 76, coluna 4)

Houve de fato uma imigração, para ser mais exatos, aconteceu uma fugida da cidade, um grupo de pessoas que é designado como: Comunidade, eles fogem de Jerusalém e se refugiam em várias regiões, em especial na cidade de Pella.

A Comunidade Notzerit na Cidade de Pella:

Já sabemos que um pequeno grupo de seguidores do Messias, e, portanto, nazarenos, que tinham aceitado a Fé, antes da destruição da cidade de Jerusalém pelo general Tito, fogem. Vejamos agora como era conhecida essa Comunidade de Jerusalém que foge para Pella:

“Transferiram-se antes do cerco, poucos em número para acidade de ... Pella ... chamavam-se Nazarenos, e com esse nome puramente evangélico que figuram na história” (História do Judaísmo Antigo, Cyro de Moraes Campos, Edição de 1961, página 353)

Assim, os que saíram de Jerusalém, antes da cidade ser destruída pelo general romano Tito, era a Comunidade dos Nazarenos, e eles se espalham pela Judeia, Galileia e se estabelecem principalmente em Pella.

“A Comunidade, trazia, porém, o nome de Nazarenos, que compartilhava com os demais grupos transjordânicos” (Nova História da Igreja, Vol.1 de autor francês J. Danielou Henry Marrou, 1984, da Editora Vozes, e com tradução de D. Paulo Evaristo Arns O. F. M. na página 44)

Claramente, sem deixar dúvidas, até Documentos católicos comprovam que a Comunidade dos Nazarenos é aquela que, saindo de Jerusalém se refugia além do Jordão (região transjordânica). Nós deveríamos pensar que os mais interessados em esconder os fatos deveriam ser justamente os que os negam, porém, diante da história e por causa do grande acervo de Documentos de prova, todo historiador deve ser honesto, e por mais que isso contrarie a tradição religiosa deve afirmar o que realmente aconteceu.

O Início da separação definitiva:

A separação entre os dois grupos, de um lado os Nazarenos, de origem judaica, e do outro os “cristãos” de origem grega e síria, começa a ser notada logo após a Destruição de Jerusalém, pelo Imperador Romano Adriano.
Em 135, o imperador Adriano mandou arrasar a cidade de Jerusalém, ao cabo da revolta judaica liderada por Simão bar Kokhba. Sobre os restos que ficou de Jerusalém, edificou-se uma cidade helênica denominada Aelia Capitolina e sobre o monte onde se erguera o santuário do Eterno, isto é,  o Templo, erigiu-se um templo dedicado ao deus Júpiter Capitolino.

Observem como nessa data, 135, acontece então a separação definitiva que divide os dois grupos, cristãos dos nazarenos:

“A Congregação judaica nazarena já tinha ficado reduzida a uma pequena parcela de adeptos quando sessenta anos mais tarde, Adriano, reprimindo a última revolta dos judeus e fundando nas ruínas da Cidade Santa a nova cidade Aelia Capitolina, na qual nenhum judeu podia entrar, acabou destruindo-a completamente. Os judeus nazarenos, vagando dali por diante pela Palestina, não foram considerados cristãos pelos seus companheiros gregos e sírios. Passaram a serem chamados nazarenos, considerados, justa ou injustamente, hereges e classificados, às vezes, como tais, nas obras de escritores eclesiásticos”  (Philip Hughes “História da Igreja Católica” – Tradução de Leônidas G. de Carvalho, Dominus, São Paulo, Segunda Edição, Revista e Ampliada, página 18)

Este historiador deve se render diante das evidências, não as pode negar, mesmo se tratando de uma obra literária católica. No início ele chama Os Nazarenos de “Igreja judaica”, depois os chama de “cristãos judeus”, para finalmente reconhecer que o verdadeiro nome é: “Nazarenos”.
Reconhece também que a rejeição dos Nazarenos aconteceu nessa época, e foram os gregos e sírios que não mais os consideraram como verdadeiros seguidores do Messias, e injustamente acusados de hereges.

Provas Arqueológicas:

Uma Descoberta Arqueológica Comprova e Demonstra a Verdade Sobre o Começo da Fé Verdadeira, vamos considerar atentamente a seguinte informação: A fonte é de plena confiança.
Nesta fonte se apresenta um fato interessante: A descoberta de um selo numa Sinagoga Nazarena. Além dos oito utensílios usados na Sinagoga, merece destaque o nome que o artigo dá aos primeiros seguidores do Messias de Yisrael:

“Um selo foi descoberto após 2000 anos. Este antigo símbolo foi encontrado no Monte Sião. Acredita-se que ele foi criado por judeus crentes que chamavam-se a si mesmo de Nazarenos... Um dos oito objetos é um bloco bem gasto feito de mármore local do tamanho de um tijolo... Uma escrita em aramaico informando o uso deste artefato para ser a base onde se colocava o frasco do óleo da unção. O antigo aramaico transliterado como: ‘La Shemem Reuhon’ (para óleo do Espírito). Outro dos oito objetos é um pequeno, e quase intacto frasco que deveria certamente ser colocado no topo da base de mármore”  (Good News For Israel – ©Evangelical Press News Service, 6 de julho de 1999)

Frasco de Óleo para Unção encontrado nas ruínas da Sinagoga Notserit de Monte Sião

Percebemos que não são apenas os escritos dos primeiros séculos que atestam sobre a existência dos judeus Nazarenos, mas, também a arqueologia veio em auxílio para demonstrar que a linha de pesquisa a qual nos estamos seguindo está correta. Os Nazarenos eram os verdadeiros mantenedores da Herança Hebraica Messiânica.


Os 8 utensílios usados na Sinagoga Notserit de Monte Sião contendo o Selo notserim


A Perseguição contra os Nazarenos - Uma profecia cumprida:

No Estudo anterior mostramos como se deu a separação, para reforçar essa divisão vamos citar um novo Documento, agora de um autor judeu:

“Durante algum tempo, a Comunidade cristã era formada de duas seções divergentes: a dos Nazarenos ou judeus Cristãos... e a de cristãos gentios... É claro que um tal estado de coisas não podiam durar, e era, somente, uma questão de tempo, antes que uma das seções viesse a predominar e expulsar a outra. Foi exatamente isso que sucedeu. O acontecimento crítico que resolveu a questão foi a destruição do templo e do estado judaico no ano 70... A partir desse momento, os Nazarenos começaram a diminuir em número, enfraquecendo-se, pouco a pouco, a sua influência, até se tornar nula”. (Do livro: Dois Caminhos, autor: Abraham Cohem, Edições Biblos Ltda. Rio de janeiro, 1964, página 102.)

Assim um grupo prevaleceu sobre o outro, os Nazarenos perderam quase que totalmente sua influência sobre as congregações gentias, enquanto que os cristãos gentios prevaleceram e venceram. O que estava escrito na profecia?  Veja como as Escrituras apresentam estes fatos, a “besta” (falsa religião) prevalece sobre os santos:

“Foi-lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação” (Apocalipse 13:7) 

Estava escrito, era a profecia que não poderia falhar! Os santos foram vencidos e a “besta” do Apocalipse prevaleceu sobre eles, a falsa religião imperou dando de beber o seu vinho da mentira, do engano, das heresias, dos dogmas satânicos e do paganismo disfarsado de cristianismo, criaram um novo deus para seus seguidores adorarem, o deus trindade, um novo messias também foi criado aos moldes de sua religião cristã, o messias romano, os Ketuvim Notserim (escritos nazarenos) foram adulterados para satisfazer as heresias da nova religião de Roma, um novo Cânon bíblico foi organizado de acordo com os interesses dos bispos e padres católicos, após adulterarem os Escritos Nazarenos, o rotularam como "novo testamento" dando a entender que seriam 'novos ensinamentos', em fim, o cenário do engano estava pronto para operar e continuou operando por cerca de 2000 mil anos de trevas espirituais, até ao surgimento da Restauração profetizada nas Escrituras, onde o povo que foi enganado está tendo a oportunidade de ver os crimes cometidos pela religião popular, um verdadeiro atentado à Fé.

Conclusão:

É hora de se fazer escolhas, de se Restaurar a Fé, de se buscar as Veredas Antigas, se voltar aos verdadeiros seguidores do Messias de Yisrael, tudo bem que os nazarenos modernos não são os mesmos do passado, mas eles vieram do mesmo lugar de onde os primeiros nazarenos saíram, do judaísmo comum, não possuem ideias diferentes pois são simplesmente judeus completos, foram preservados das doutrinas de Roma, nada de dogmas mentirosos tais como trinitarismo, unicismo ou sabatismo lunar, são judeus seu maior dogma é o Shemá Yisrael, o Eterno é Um e Único e Ele NÃO DIVIDE sua Glória com NINGUÉM (ver Isaías 42:8)

Eles são os Remanescentes que tornariam a brotar e dariam frutos, são os que se converteram de entre a multidão como a areia do mar:

"Porque, ainda que o teu povo, o Yisrael, seja tão numeroso como a areia do mar, o Remanescente deste povo se converterá......" (Isaías 10:22)

Adonai os preservou fora da influência de Roma para serem Luz aos gentios de hoje, contradizendo a tudo que Roma inventou para enganar os incautos e jogar por terra a falsa doutrina e as heresias modernas:

"Sim diz Ele: Achas pouco seres meu servo, para Restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os Remanescentes de Yisrael, também te constituí Luz para os gentios, para seres a minha salvação até os confins da terra" (Isaías 49:6)

Bendito seja o Eterno, que não deixou perecer na mentira aqueles que voluntariamente buscaram a Verdade, fazendo parte da Congregação do Eterno e preparando um povo para se encontrar com o Messias, pois sua vinda está próxima.


Créditos: Ministério Israelita Nazareno /do livro: A Verdadeira Herança Messiânica


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Rosh: Marlon Troccolli


domingo, 22 de setembro de 2013

MOISÉS E ELIAS ESTÃO REALMENTE NO CÉU? (Mateus 17:3)



Moisés e Elias estão realmente no Céu? (Mateus 17:3)

Introdução:

Como harmonizar o aparecimento dos profetas Moisés e Elias no monte da transfiguração, relatado em Mateus 17:2 e 3 com esta declaração de Yeshua:

"Ora, NINGUÉM subiu ao Céu, se não aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem que está no Céu." (João 3:13)

Este artigo destina-se a tirar algumas dúvidas a respeito de certas doutrinas ensinadas popularmente, Moisés e Elias estariam de fato no céu??
Sabendo que, isto não é uma doutrina ou dogma de Fé, mas uma realidade que anuncia uma grande verdade, de que os mortos no Messias irão ressuscitar para a Glória.

Questões a serem analisadas:

Quando fazemos um Midrash de algum texto referente a um assunto de difícil compreensão, temos de início, aceitar todas as possibilidades, principalmente se a Bíblia dá margem para outras interpretações sem contudo, se precisar torcer um texto para provar o contrário, que não é o caso aqui, pois em uma leitura rápida e superficial parece que o assunto já esteja liquidado, porém, não liquida a questão do aparecimento dos dois profetas no monte da transfiguração, que é um fato contundente a se considerar.
Estes dois profetas apareceram realmente(ver Mateus 17:3), e não só apareceram como também conversaram com Yeshua, e o Messias falou para eles a respeito de sua obra de salvação que estava para se cumprir lá mesmo em Yerushalaim (ver Lucas 9:30 e 31), e este aparecimento foi presenciado por testemunhas (ver Marcos 9:2), logo, não devemos descartar estas fatos inéditos assim tão facilmente.

Se admitirmos que eram apenas visões do futuro vindouro, então não teria a necessidade de Yeshua ter conversado com os dois profetas que iriam ainda ressuscitar no futuro, a respeito de sua obra daquela época presente, neste caso, seria uma conversa Esdrúxula!? O senhor Yeshua não se prestaria a este papel até um tanto ridículo.
Por outro lado, se admitirmos que eram apenas o "espírito" ou a "alma" destes profetas, de acordo com a crença de alguns, vamos dar margem para o espiritismo de Kardec ou a doutrina da imortalidade da alma dos católicos. Realmente ficou difícil agora a situação destes dois profetas.
Deixemos de lado estes assunto por enquanto e vamos analisar alguns arrebatamentos bíblicos.

1- O Arrebatamento de Henock: É evidente que a Bíblia declara que este homem de D'us foi arrebatado para D'us, pois o texto diz:

"Henock andou com Elohim e DESAPARECEU, pois Elohim o tomou para Si" (Gênesis 5:24)

Texto transliterado do original:

"Vayitalek Chanok et ha Elohim ve'eynenu kiy lakach oto Elohim"

Ou seja, Henock não foi mais visto por ninguém em parte alguma porque o Eterno o arrebatou para si, o texto é claríssimo.

2- O Arrebatamento de Elias: Há vários fatos a se considerar quanto a este arrebatamento, primeiro: foi anunciado antes por D'us que tal fato se sucederia (ver II Reis 2:1); Segundo: Eliseu também já sabia e tinha receio de perguntar (ver II Reis 2:3); Terceiro: este arrebatamento não seria um fato visível a qualquer um, por isso que Elias tentou ir sozinho ao encontro de D'us, porém Eliseu não o deixou só (ver II Reis 2:4); Quarto: mesmo sendo o sucessor de Elias, Eliseu corria o risco de não ver este fato glorioso (ver II Reis 2:9 e 10); Quinto: os discípulos dos profetas não tinham visto o ocorrido, mas sabiam que Eliseu estava cheio do Espírito Santo, por isso queriam perguntar a Elias se de fato Eliseu o sucedera, insistindo com Eliseu em irem procurar por Elias, mas sem sucesso (ver II Reis 2:16 a 18)
Outro fato a se considerar e a promessa de D'us de arrebatar Elias ao Céu e não a um lugar específico:

"Eis o que se passou no dia em que Adonai arrebatou Elias ao Céu num turbilhão..." (ver II Reis 2:1)

Texto transliterado do original:

"Vayhi beha alot Adonay et Elyahu bas'arah hashamay vayelek....."

Observem a palavra "AO CÉU" no original hebraico "HA'SHAMAY", não resta dúvida que Elias foi arrebatado ao Céu, o texto é claríssimo tanto no original como na tradução.
Alguns argumentam que Elias não foi arrebatado ao Céu mas a algum lugar na terra de Yisrael, e citam um texto de II Crônicas 21:12 onde teria Elias, tempos depois de seu arrebatamento, enviado uma carta ao rei Jeorão, tais pessoas se apoiam neste frágil argumento para afirmarem que Elias não subiu ao Céu mas ainda estava vivo, mesmo próximo à morte de Eliseu, o que não faz sentido nenhum, por que Elias enviaria uma carta a um rei de Judá se o seu ministério profético já haviam terminado?? Outros detalhes importantes, este fato está registrado no livro das Crônicas e não dos Reis, há aí uma grande diferença a se considerar, o livro dos Reis foi escrito no mesmo período em que tais fatos aconteceram e este fato da carta de Elias não aparece neste livro, porém o livro das Crônicas foi escrito séculos depois do cativeiro de Babilônia, seu provável autor teria sido Esdras o escriba. Muitos eruditos reconhecem que há muitos textos interpolados nas Escrituras, e o que vem a ser isto?? Significa que algumas informações escriturísticas foram postas fora de seu local adequado, lembrando que os pergaminhos eram em pedaços ou porções e não escritos diretos como em nossas bíblias atuais, por causa disto muitas informações de uma determinada época aparecem em épocas posteriores causando estas distorções de datas e épocas, todo historiador sabe disto, esta carta de Elias pode está posta fora de seu local adequado de época. Outra explicação para a tal carta ter aparecido anos depois do arrebatamento de Elias, o profeta teria tido uma visão do futuro rei de Judá e, por inspiração divina, ter escrito uma carta a este futuro rei, o que não seria nenhuma novidade dentro do contexto escriturístico, pois, o profeta Isaías também escreveu uma MENSAGEM ao Rei CIRO da Pérsia muitos séculos antes mesmo deste rei nascer:

"E digo a Ciro: És meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz, e digo também de Jerusalém: Será edificada e o Templo será levantado" (Isaías 44:28)

Portanto, o argumento da carta de Elias não prova nada, continua prevalecendo o que está escrito nas Escrituras, isto é, que Elias ter sido arrebatado ao Céu.

3- O Arrebatamento de Filipe: Este apóstolo estava falando a um nobre eunuco a cerca da Teshuvá do Eterno, quando o eunuco fez a Tevilah e saído das águas, o Espírito o arrebatou mas não ao Céu, porém para um local específico(ver Atos 8:39 e 40), e a Bíblia ainda mostra o lugar e ainda diz o que Filipe foi fazer ali, bem diferente dos arrebatamentos de Henock e Elias, que depois do ocorrido não se fala mais NADA sobre eles e suas obras.

Algumas questões a se considerar:

Alguns querendo arrumar pretextos para afirmar que Henock não foi arrebatado ao Céu mas para um lugar específico, dizem que ele era um homem perseguido por ser justo, outros dizem que Henock estava jurado de morte, outros já dizem que alguém queria matá-lo e por isso D'us precisou tirá-lo do lugar em que ele morava arrebatando-o para um outro local, longe de seus perseguidores e lá Henock morreu.
Mas sabemos que todas estas afirmações não passam de suposições, e não é prudente ficar fazendo conjecturas dentro da Palavra do Eterno, a Bíblia não fala NADA sobre este assunto, e o apóstolo Shaul é categórico em afirmar que Henock foi transladado para NÃO VER A MORTE:

"Pela fé, Henock foi transladado para não ver a morte, não foi mais encontrado, porque D'us o transladara. Pois antes de sua transladação, obteve testemunho de ter agradado a D'us" (Hebreus 11:5)

Sem conjecturas, o texto é mais que claro, é revelador, ou seja, ele não foi mais encontrado porque D'us o levou, Henock NÃO MORREU como alguns afirmam.
Quanto ao texto: "Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas.......... " (Hebreus 11:13), é óbvio que não se refere a Henock, a Bíblia não pode se contradizer, é mais uma questão de interpretação correta de texto.

Sobre o profeta Moshê/Moisés:

As Escrituras Sagradas dizem que Moisés morreu e foi sepultado pelo próprio Eterno em um vale, para que ninguém soubesse o local desta sepultura (ver Deuteronômio 34:5 e 6), um fato um tanto estranho da parte de D'us, visto que seus principais Patriarcas como Abraão, Isaque, Jacó entre outros, foram todos sepultados por seus parentes em sepulturas conhecidas por todos, por que no caso de Moisés foi diferente??? A família de Moisés não tinha os mesmos direitos dos demais em de sepultar seu ente querido??? E bota querido nisto, pois os israelitas prantearam Moisés por 30 dias.

Eu creio que a sepultamento feito por D'us a Moisés foi apenas circunstancial, Moisés em seu estado de morte, foi julgado e considerado digno de receber a Ressurreição para Glória, este relato encontra-se em um livro chamado "Testamento ou Assunção de Moisés" escrito em hebraico no período profético do Antigo Testamento, muitos pesquisadores concordam que este livro fazia parte do Cânon Sagrado do Tanach e reconhecido como inspirado até o período do Novo Testamento, pelo simples fato de ter sido citado por Judas em sua epístola(ver Judas 1:9)

Judas relata nada mais e nada menos do que um trecho deste livro, o livro diz que o Eterno considerou Moisés digno para ressurgir para Glória e enviou o Arcanjo Mikha'el/miguel para chamá-lo da morte, quando então surgiu haSatan para disputar com ele o corpo de Moisés.
Este fato era conhecido dos israelitas, e se tornou um ponto muito forte entre os Fariseus, pois eles se baseavam principalmente neste livro para defender a doutrina da ressurreição dos mortos no último dia, doutrina esta que foi perfeitamente aceita pelo cristianismo até hoje.

Agora vem a pergunta: se este livro fazia parte do Tanach, então por que não está nela até hoje??? Sabemos que na destruição do Templo e de Yerushalaim/Jerusalém no ano 70 ec., muitos livros se perderam, razão porque o conselho dos anciãos e escribas resolveram reformular o Cânon do Tanach.
Este Concílio Judaico ocorreu por volta do ano 100 ec. na cidade de Yâmnia, neste concílio muitos livros foram deixados de fora do Cânon, entre estes, aqueles que não tinham sido encontrados, foi o caso do livro da "Assunção de Moisés", esta é a razão porque ele não se encontra no Cânon atual do Tanach, mas não significa que não seja inspirado, pois um apóstolo de Yeshua jamais usaria um livro apócrifo para dar um ensinamento.
Outro fato contundente, a declaração do apóstolo Shaul, vejamos o que ele diz:

"Entretanto, reinou a MORTE desde Adão até MOISÉS, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir" (Romanos 5:14)

Lemos que, de fato, Moisés fora sepultado na terra de Moabe, no entanto, ninguém soube o local de sua sepultura. ver Deut:. 34:6. Havia nisso um desígnio da parte do Eterno. Todos os que morrem, são contados como prisioneiros de haSatan, no sentido de estarem na sepultura, retidos, inativos, vencidos. Lemos, porém, em Hebreus 2:14, que Yeshua, "pela Sua morte aniquilou o que tinha o império da morte, isto é, haSatan." Pois bem, o profeta Moisés escapou da prisão da morte.

Em Judas 1:9, lemos que houve uma disputa entre Mikha'el arcanjo, e haSatan acerca do CORPO de Moisés. A disputa não era sobre uma simples sepultura, mas sobre o corpo do servo de D'us. HaSatan reclamava Moisés como seu cativo, porém Mikha'el também o reclamava para o Eterno. Não seria admissível que houvesse uma disputa sobre o corpo de Moisés, a não ser que se tratasse da ressurreição desse corpo. A ambição maior de haSatan é manter mortos PARA SEMPRE todos os que são filhos de D'us, que estejam nos seus túmulos.

Judas 1:9 "Mas quando o arcanjo Mikha'el, discutindo com  haSatan, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: Adonai te repreenda"

Lendo-se as ressurreições ocorridas no Tanach, antes da do Messias, costuma-se citar a do filho da viúva de Sarepta (ver I Reis 17) como a mais antiga. Temos, contudo, em Romanos 5:14, essa espantosa revelação:

"No entanto, a morte reinou desde Adão até MOISÉS. . ."

Notemos o verbo reinar, que quer dizer, dominar, prevalecer. Ora, depois de Moisés os homens continuaram morrendo, mas o texto acima nos diz que a morte teve domínio indiscutível sobre os mortais até MOISÉS. Em outras palavras, até Moisés ninguém havia se levantado do túmulo para provar que é possível ressuscitar para a Glória. Nisso haSatan viu seu império abalado, razão pela qual ele teve a audácia de disputar o corpo do grande profeta do Eterno, tentando invalidar a promessa de D'us. Vemos nisso evidência clara da ressurreição de Moisés.

Quanto ao apóstolo Shaul, sabemos que ele era Fariseu de nascença (ver Atos 23:6), e todos os fariseus defendiam veementemente a doutrina da ressurreição dos mortos e da ressurreição para a Glória, que eles chamavam de ressurreição do Último Dia (ver João 11:24), pois bem, sendo Shaul fariseu será que ele não acreditava na ressurreição de Moisés???
É óbvio que sim, se não ele não teria deixado esta declaração tão contundente, Shaul acreditava de fato que Moisés já estava na Glória e foi visto no monte da transfiguração e conversou com o senhor Yeshua a respeito de sua Missão, e o próprio Yeshua teve que se transfigurar em Glória para falar com estes dois salvos já glorificados.

Conclusão:

Agora vamos analisas João 3:13 que declara: “Ora, ninguém subiu ao céu senão aquele que de lá desceu, a saber, o filho do homem”. Como entender essa aparente contradição?
João 3:13 é compreendido à luz de seu contexto interno (o que vem antes ou depois do verso, isto é um princípio interpretativo de todos os pesquisadores). Lendo a partir do primeiro verso, vemos que Yeshua está dirigindo o assunto a Nicodemos, que estava com dificuldades de compreender o ensinamento do Messias.
O verso 12 é a CHAVE para a interpretação, Yeshua diz a Nicodemos que, se não crer nas coisas terrenas explicadas por ele (que ilustravam o Novo Nascimento), como poderia crer nos assuntos celestiais?

Analisando conjuntamente os versos 12 e 13, vemos que Yeshua diz que “ninguém subiu ao céu para falar das coisas celestiais aos homens mortais, se não aquele que de lá desceu, o filho do homem”.

Parece haver aqui uma expressão figurada, indicando que ninguém conhece os mistérios do reino de D'us como lemos em Deuteronômio 30:12; Salmos 73:17; Provérbios 30:4; Romanos 11:34. A expressão pode ser compreendida, relacionando-a com a seguinte máxima: 
Para estar perfeitamente familiarizado com os acontecimentos de um lugar é necessário que a pessoa esteja no lugar. O Messias provavelmente pretendia corrigir uma falsa noção dos judeus, ou seja, de que Moisés, quando desapareceu no monte Sinai, tivesse subido ao Céu para receber a Torah Sagrada. Portanto, este versículo não se refere a Enoque, Moisés ou Elias, pois seus nomes nem são mencionados. Afirma que ninguém subiu ao céu e de lá desceu para falar das coisas de D'us, a não ser Yeshua, o Messias, que é o Elohim representante do Eterno (João 1:1-3; 14).

De fato Moisés ressuscitou, está exposto em toda as Escrituras Sagradas como eu escrevi anteriormente, foi confirmado pelo apóstolo Shaul e revelado no monte da transfiguração, porém Moisés e Elias subiram, e,  provavelmente estejam no Gan Éden ou em alguma dimensão superior entre o Céu supremo e a terra, mas de lá jamais desceram para pregar e ensinar os homens a respeito da Teshuvá e da salvação do Eterno, pois o único com quem estes dois já glorificados conversaram foi com o filho do Eterno, Yeshua sim, foi o único que desceu do Céu para ensinar aos homens pecadores o Caminho da Salvação. As palavras do Messias em João 3:13, já tinham sido reveladas em Provérbios séculos atrás:

"Quem SUBIU ao Céu e de lá DESCEU? Quem encerrou os ventos em seus punhos? Quem amarrou as águas em sua roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da Terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu FILHO, se tu o conheces?" (Provérbios 30:4)

Somente a Bíblia se explica por ela mesma, se apenas deixarmos que ela nos fale, sem, portanto, querer forçá-la a falar por nós.

Shalom Aleichem!!!


Rosh: Marlon Troccolli