sexta-feira, 12 de julho de 2013

TEVILAH E O MIKVÊ



Tevilah e o Mikvê:

No meio cristão há muitas controvérsias a respeito do batismo, seja quanto a forma ou às palavras que devem ser pronunciadas, o significado do ato e outras questões, a maioria dos cristãos da seita pentecostal só consideram o batismo em línguas.
O Batismo ou Tevilah no hebraico, começou antes mesmo da primeira vinda de Yeshua e o Mikvê, é a forma de batismo no meio judaico que pode ser considerado a origem do batismo cristão, apesar das denominações evangélicas não gostarem desta associação e nem os judeus.

Tevilah ou imersão(batismo) no Judaísmo:

A palavra hebraica para batismo é Tevilah e significa imersão, que embora pudesse ser feito em um rio ou lago, era geralmente feita em um Mikevê, um tanque onde as águas das chuvas ou de um córrego foram represadas. Este tanque era um elemento essencial em uma Sinagoga e também fazia parte do Templo de Jerusalém.

Arqueólogos tem desenterrado muitos destes tanques no monte do antigo Templo e são idênticos aos modernos banhos de mikevê encontradas nas sinagogas de judeus ortodoxos, massort e nazarenos ainda hoje, as mulheres ortodoxas visitam o mikvê após seu fluxo mensal e, muitas vezes depois de terem relações íntimas. Homens ortodoxos vão ao mikvê para se prepararem para o Shabat e dias santos, e às vezes, mesmo o  judeu secular vai à mikvê em ocasiões especiais, antes do casamento por exemplo.

 
No judaísmo a própria pessoa se imerge, sem contato físico com outra pessoa, após remover roupas e jóias, um preceptor, Rosh ou Rabino pode acompanhar a pessoa até o mikvê e recitar as devidas bênções, dependendo da ocasião, também deve haver a presença de duas testemunhas, caso a Tevilah seja uma imersão para arrependimento e conversão, porém nenhum dos acompanhantes intervirá no ato pessoal do canditado a Tevilah, e a imersão é invalidada se alguma intervenção impedir que a água atinja todas as partes do corpo, principalmente a cabeça.

As testemunhas presente não tocam naquele que vai se imergir, que se imerge totalmente colocando-se numa posição sentada ou posição fetal debaixo da água. O batismo de Yeshua pode ter sido feito assim, por auto-imersão e seria a explicação da frase em Mateus 3:16, dizendo que após ser imergido, Yeshua saiu logo da água.

Na Torah Sagrada encontramos vários textos com recomendações de rituais de purificação. No Monte Sinai D'us ordenou que as pessoas lavassem suas roupas como um ato simbólico de purificação. (Êxodo 19:10); e no livro de Levíticos há ordenanças para Araão e seus filhos se lavarem antes de entrarem na área sagrada do Tabernáculo chamada Santo dos Santos. Em Números há instruções sobre purificação após contaminação por um corpo morto:

"Purificai-vos por sete dias fora do arraial.....purificai-vos, tanto vocês como os que vieram cativos com vocês.....Este é um Rouqat(estatuto) da Torah que Adonai ordenou a Moisés....Tudo que puder suportar o fogo fareis passar pelo fogo(objetos e utensílios), para que fique limpo, todavia, também se purificará com água purificadora, mas tudo que não puder suportar o fogo(pessoas) fareis passar pela mikvê nas águas" (Números 31:19 a 23)

Após a menstruação a mulher deveria passar pelo ritual de purificação e aquele que fosse curado da hanseníase também deveria se purificar. Outro uso da purificação na água que tornou-se parte da tradição judaica e ninguém sabe exatamente porque, é a imersão de novos convertidos ao judaísmo, conhecidos como prosélitos. Na Torah era exigido a circuncisão de certos grupos de gentios, mas pouco antes dos tempos do ministério de Yeshua, já havia sido instituído a prática de batismo dos prosélitos.

A imersão no mikveh tem a finalidade de purificação ritual para fins espirituais e nunca material, pois para esta última, antes do banho ritual a pessoa tinha que tomar um bom banho, lavando os cabelos, cortando as unhas e se livrando de qualquer bandagem no corpo. Claro que a pessoa não deve possuir nenhuma ferida no corpo ou doença de pele, nos atuais mikvê para mulheres há sempre uma atendente experiente chamada senhora mikveh para assistir a imersão e garantir que a mulher foi totalmente coberta pela água.

Ao entrar na água a pessoa morre pra si mesmo simbolicamente, e ao sair do mikveh, nasce de novo, conceito parecido que identificamos no batismo nazareno. É muito importante este sentido espiritual do mikeveh, marcando a passagem de um tipo de vida para outro.


As testemunhas, no caso da Tevilah ser para arrependimento e conversão, servem para atestar o ato e aquele que vai se imergir, o candidato, recita todo o credo judaico e, no caso do judaísmo Notzerim, deve recitar toda a declaração de Fé dos judeus nazarenos, também deve haver uma renúncia pública de seus antigos deuses, religião, crenças e dogmas que são contrários a Fé Notzeri, depois o Shemá Sagrado deve ser recitado como confirmação de que a conversão será ao D'us de Yisrael, e finalmente, o candidato recitará a bênção do Mikvê que é a seguinte: 

Baruch Atah Adonai Elohenu Meleh ha'olam asher kideshanu b'mitzvotav  ha'tevillah al.

"Bendito és Tu, ó Adonai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificas com teus Mandamentos e nos ordenou realizar a imersão." 

No caso do prosélito no judaísmo comum, a bênção é recitada após a imersão, podendo o candidato ser imerso três vezes se assim desejar. Nos escritos do judaísmo há uma série de prescrições a respeito do mikvê, da construção, da água e dos ritos.

Yohanan o Imersor(João Batista):

O uso da água para purificação e consagração é um conceito comum no judaísmo e muito antigo. Devido a isso, quando João batista apareceu na Judéia pregando o arrependimento e o batismo no rio Jordão, o batismo em si não causou estranheza. Ele pregava o iminente julgamento de D'us, advertindo que Yisrael deveria se arrepender e ser espiritualmente renovado, e o batismo na água simbolizaria renascimento. Este batismo, porém, era uma ordem divina. O próprio João Batista afirma que D'us o mandou a batizar com água e que após ele viria um que batizaria com o Espírito Santo (João 1:29-33).

Yeshua veio para ser batizado por João, não por causa de pecados, mas para cumprir toda a justiça divina.  João era um levita da linhagem sacerdotal e tinha autoridade para testemunhar a imersão do Messias de Yisrael. Esta imersão de Yeshua, se não era para arrependimento de pecados, era para marcar o início do ministério terreno de Yeshua. Logo depois lemos que os discípulos de Yeshua também batizavam, enquanto João ainda cumpria seu ministério. Antes da sua partida Yeshua ordenou:

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado." (Mateus 28:19)

 
A Tevilah no meio Notzerim:

O batismo nazareno também requer sacrifício e não estão dispensados deste sacrifício, que foi cumprido, de uma vez por todas em Yeshua haMashiach  na cruz. O batismo ou a imersão realizada pelos nazarenos são precedidos pela fé (emuná) no D'us de Yisrael. Adonai enviou o Messias Salvador antes que o Templo fosse completamente destruído, para que ele pudesse expiar o pecado de uma vez por todas, e assim todos os que nele cressem não ficariam sem o sacrifício aceitável diante do Eterno.
Da mesma maneira não há necessidade de circuncisão em caso dos gentios convertidos, para poder servir a D'us através de Yeshua, pois no momento em que a pessoa crê, opera-se a circuncisão no coração, como descrito por Shaul haShaliach aos colossenses:

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da perfeição; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, que é a circuncisão do Messias; Sepultados com ele na Tevilah, nele também ressuscitastes pela fé no poder do Eterno, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas" (Colossenses 2:9-14)

Este texto não representa toda a visão Notzeri sobre o batismo e nem pretende esclarecer todas as  polêmicas que há a respeito do batismo, mas apenas despertar para a grande verdade de toda a Escritura, a saber que o Eterno é UM.

Rosh: Marlon roccolli


6 comentários:

  1. Meu irmão em Cristo nos. Os petencostais não somos seita .e platicamos o batismo que o mestre ordenou aliás sobre o batismo com p espírito santo também vem do mestre

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  2. Shalom, rosh!Muito bom este artigo!

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  3. Muito bom este artigo, é sem dúvida uma resposta aos presbiterianos,que dizem que os judeus batizavam Aspersão,se isso fosse verdade João batista não batizados no rio e sim com um penico.

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  4. Muito bom este artigo, é sem dúvida uma resposta aos presbiterianos,que dizem que os judeus batizavam porAspersão,se isso fosse verdade João batista não batizaria no rio e sim com um penico.

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  5. Shalom,muito bom,gostei bastante,sou a Rosh Hadassah do estado de Pernambuco,e gostaria de mas estudos,meu ZAP pessoal,081 99815.1701 shalom Laila tov.

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  6. Muito bom o estudo sou de Santo Antônio de posse do estado de São Paulo região de Campinas meu hatsapp(019)999160478

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