terça-feira, 27 de agosto de 2013

Su’rane daShliche טו – Atos dos Emissários 15


É importante esclarecer que nesta tradução fora conservada toda estrutura do texto aramaico, inclusive forçando o português para tal, de forma a aproximar o leitor ao máximo do texto semita.

Observo que a palavra Namôsa (נָמוֹסָא) pode ser entendida como Lei, Halachah (conjunto das leis judaicas), Tradição, Costume e Torah – como referência ao Pentateuco. Para Torah existe um exato correspondente em língua aramaica, Orayta (אוֹרָיתָּא), que aparece apenas três vezes em toda a Peshita (Mt. 11:13; 12:5 e 22:40).

Compreendemos que aqueles que foram chamados dentre os gentios não devem ser obrigados e coagidos a adotar mais que os preceitos que foram citados pelos emissários – bem como disseram, como está escrito não só em Atos 15, pois disto também atesta Paulo haShaliach em sua carta aos Gálatas. Devem, entretanto, aprender a cada Shabat, como está escrito, e como acontecera naqueles tempos, a importância das mitsvot (mandamentos).

Entendemos também que o não-judeu não precisa deixar o seu povo, sua tradição e cultura – desde que estes não transgridam as ordenanças dos emissários –, convertendo-se ao Judaísmo, vivendo, assim, de forma plena como Judeu, a não ser que por sua própria vontade, não outra, assim queira. Dessa forma convêm que façamos, pois assim determinaram os discípulos do Mashiach, debaixo da autoridade haláchica ordenada pelo mesmo:

“E, amen, digo, eu, a vós: Que tudo o que, pois, ligardes na terra, será ligado no céu, e aquilo que desligardes na terra, será desligado no céu” – Mateus 18:18. 

O não-judeu deve estar apto a escolher observar os mandamentos, não compelido, por ninguém, a fazê-lo, ouvir o Sopro do Eterno. Assim lemos nos escritos de Luqa, em Atos 15:


1 נחֶתו הוָו דֵּין אנָשָׁא מִן יִהוּד. ומַלְּפִין הוָו להוֹן לאַחֵא: דּאִנהוּ דלָא גָזרִין אנתּוֹן בַּעֲיָדָא דנָמוֹסָא. לָא מִשׁכּחִין אנתּוֹן למֶחָא.

Descido, houve, então, homens da Judeia, e ensinavam, houve, a eles, aos irmãos: que se, pois, não circuncidai-vos nos costumes da Namosa, não encontrariam, vós, a salvação.

2 וַהֲוָא שׁגוּשׁיָא סַגִּיאָא וַבעָתָא לפָּולוֹס וַלבַרנְבָא עַמהוֹן. וַהֲוָת דּנִסקוּן פָּולוֹס ובַרנְבָא וַאחרָנֵא עַמהוֹן לוָת שׁלִיחֵא וקַשִּׁישֵׁא דְבאוֹרִשׁלֶם מִטֹּל הָדֵא בעָתָא.

Era confusão grande, e discutição a Paulo e a Barneba com eles. E houve que subiram Paulos e Barnebá, e outros com eles, aos emissários e anciãos que em Yerushalaim são, sobre esta discussão.

3 ולָויַת שַׁדּרַת אִנּוֹן עֵדּתָּא. ורָדֵין הוָו בּכֻלָּהּ פֵונִיקֵא ואָף בֵּית שָׁמרָיֵא כַד מִשׁתַּעֵין הוָו עַל פּוּנָיָא דעַממֵא. ועָבדִּין הוָו חַדוּתָא רַבּתָא לכֻלהוֹן אַחֵא.

E acompanhava, e enviava-os, a comunidade, e viagens, houve, em toda ela, a Fenícia, e também entre os samaritanos quando contavam, houve, sobre a restauração dos povos; e faziam, houve, muita alegria a todos eles, os irmãos.

4 וכַד אֶתָו לאוֹרִשׁלֶם. אִתקַבַּלו מִן עֵדּתָּא ומִן שׁלִיחֵא ומִן קַשִּׁישֵׁא. ואִשׁתַּעִיו להוֹן כֹּלמָא דַעֲבַד עַמהוֹן אַלָהָא.

E quando chegaram a Yerushalaim, foram recebidos da comunidade, e dos emissários, e dos anciãos, e contaram a eles tudo aquilo que fazia, com eles, Deus.

5 קָמו הוָו דֵּין אנָשָׁא אַילֵין דּהַימֶנו הוָו מִן יוּלפָּנָא דַפרִישֵׁא. ואָמרִין: דּוָלֵא הו לכוֹן למִגזַר אִנּוֹן. וַתפַקדוּן אִנּוֹן דּנִטרוּן נָמוֹסָא דמוּשֵׁא.

Levantaram, houve, então, homens que da verdade eram das instruções dos fariseus, e disseram que adequado é ela, a vós, para circuncidar-los; e ordenaram-lhes que observassem a Namosa de Moisés.

6 אִתכַּנַּשׁו דֵּין שׁלִיחֵא וקַשִּׁישֵׁא דנֶחזוֹן עַל מִלתָא הָדֵא.

Congregaram, então, os emissários e anciãos de observarem sobre a palavra.

7 וכַד הֲוָת בּעָתָא סַגִּיאתָא. קָם שִׁמעוֹן ואֶמַר להוֹן: גַּברֵא אַחַין. אַנתּוֹן יָדעִין אנתּוֹן דּמִן יָומָתָא קַדמָיֵא מִן פּוּמי דִּילי גּבָא אַלָהָא דּנִשׁמעוּן עַממֵא מִלתָא דַסבַרתָא וַנהַימנוּן.

E quando havia grande confusão, levantou-se Shim’on e disse a eles: Homens, nossos irmãos, vós sabem, vós, que desde os primeiros dias de meu pronunciamento que a mim escolheu D’us, [para] que ouvissem os povos a palavra da Boa-Nova e nossa Fé.

8 ואַלָהָא דיָדַע דַּבלִבָּוָתָא אַסהֶד עֲלַיהוֹן. ויַהב להוֹן רוּחָא דקוּדשָׁא אַיך דּלַן.

E D’us, que conhece o que nos corações é, testemunhou a eles, e deu a eles o Espírito do Santo, como, que, a nós.

9 ומִדֶּם לָא פרַשׁ בַּינַין וַלהוֹן. מִטֹּל דּדַכִּי בהַימָנוּתָא לִבָּוָתהוֹן.

E algo não separa entre nós e a eles, pois purificou, na Fé, seus corações.

10 והָשָׁא אַנתּוֹן מָנָא מנַסֵּין אנתּוֹן לאַלָהָא אַיך דַּתסִימוּן נִירָא עַל צָורַיהוֹן דּתַלמִידֵא אַינָא דאָף לָא אַבָהָתַן אָפלָא חֲנַן אִשׁכַּחֲן למִטעַן.

E agora, vós, por que tentais, vós, a D’us dessa maneira? Pois colocam servidão sobre os pescoços deles, dos discípulos, que, pois, também nem nossos pais, mesmo nós, podemos sustentar.

11 אֶלָּא בטַיבּוּתֵהּ דּמָרַן יֵשׁוּע משִׁיחָא מהַימנִין חנַן דּנִחֶא אַכוָתהוֹן.

Mas na bondade dele, de nosso senhor Yeshua, o messias, cremos, nós, que é a salvação, como a deles.

12 וַשׁתֶקו כֻּלֵּהּ כִּנשָׁא. ושָׁמעִין הוָו לפָּולוֹס וַלבַרנְבָא דמִשׁתַּעֵין הוָו כֹּלמָא דַעֲבַד אַלָהָא באִידַיהוֹן אָתוָתָא וַגבַרוָתָא בעַממֵא.

E calou-se toda ela, a multidão. E ouviam a Paulo e Barneba que contavam tudo o que fizera D’us através deles: sinais e poder [manifestos] nos povos.

13 ובָתַר דַּשׁתֶקו קָם יַעקוֹב ואֶמַר: גַּברֵא אַחַין שׁוּמעוּני.

  E depois que calou-se, levantou-se Ya’qov, e disse: Homens, nossos irmãos, ouçam-me:

14 שִׁמעוֹן אִשׁתַּעִי לכוֹן אַיכַּנָּא שַׁרִי אַלָהָא למִגבָּא מִן עַממֵא עַמָּא לַשׁמֵהּ.

Shim’on relatou a vós dessa maneira: Começou, D’us, a selecionar dos povos um povo para Seu nome.

15 וַלהָדֵא שָׁלמָן מִלַּיהוֹן דַּנבִיֵּא. אַכמָא דַכתִיב.

E a isto são perfeitas as palavras deles, dos profetas, como está escrito

16 דּמִן בָּתַר הָלֵין אֶהֱפּוֹך ואַקִּים מַשׁכּנֵהּ דּדָוִיד אַינָא דַנפַל. ואֶבנֶא מִדֶּם דַּנפַל מִנֵּהּ. ואַקּימִיוהי.

Que de: Depois disto retornarei e levantarei o tabernáculo dele, de Dawid, que está caído, e construirei aquilo que está caído dentro deles, e edificá-lo-ei.

17 אַיך דּנִבעוֹן שַׁרכּהוֹן דַּבנַינָשָׁא למָריָא. וכֻלהוֹן עַממֵא אַילֵין דּאִתִקרִי שֵׁמי עֲלַיהוֹן. אָמַר מָריָא דַעֲבַד הָלֵין כֻּלהֵין.

Assim, pois, [para] procurarem a seus remanescentes, dos homens, ao Senhor, e todos eles, povos que chamam a mim, o meu nome sobre eles, disse o Senhor, que faz estas [coisas] todas.

18 ידִיעִין אִנּוֹן מִן עָלַם עֲבָדָוהי דּאַלָהָא.

Conhecido são a eles, desde sempre, os feitos dEle, de D’us.

19 מִטֹּל הָדֵא אֶנָא אָמַר אנָא דלָא נִהווֹן שָׁחֲקִין לאַילֵין דּמִן עַממֵא מִתפּנֵין לוָת אַלָהָא.

Pois isto eu digo, eu, que não destruam a estes que dos povos são restaurados para D’us.

20 אֶלָּא נִשׁתּלַח להוֹן דּנִהווֹן פַּרִיקִין מִן טַמאוּתָא דַדבִיחָא ומִן זָניוּתָא ומִן דַּחֲנִיקָא ומִן, דּמָא.

Mas envia [a carta] a eles que sejam separados da impureza dos sacrifícios, e da prostituição, e do que é sufocado, e do sangue.

21 מוּשֵׁא גֵיר מִן דָּרֵא קַדמָיֵא בכֹל מדִינָא אִית הוָא לֵהּ כָּרוֹזֵא בַכנוּשָׁתָא דַבכֹל שַׁבִּין קָרֵין לֵהּ.

Moisés, pois, desde as primeiras gerações, em toda cidade existe, era, para ele são os proclamadores em todas as sinagogas, pois em todos os shabatot existem leitores a ele.
                             
22 הָידֵּין שׁלִיחֵא וקַשִּׁישֵׁא עַם כֻּלָּהּ עֵדּתָּא גבָו גַּברֵא מִנהוֹן. ושַׁדַּרו לאַנטיוֹכִי עַם פָּולוֹס ובַרנְבָא לַיהוּדָא דמִתקרֶא בַר שַׁבָּא. וַלשִׁילָא. גַּברֵא דרֵשֵׁא הוָו בּהוֹן בּאַחֵא.

Então os emissários e os anciãos, com toda a congregação, selecionaram homens deles. E enviaram a Antioki, com Paulos e Barneba, a Judas, chamado Bar Shaba, e a Shila, homens, que cabeças eram neles, nos irmãos.  

23 וַכתַבו אִגַּרתָּא באִידַיהוֹן הָכַנָּא. שׁלִיחֵא וקַשִּׁישֵׁא אַחֵא. לאַילֵין דּאִית בּאַנטִיּוֹכִי וַבסוּרִיָּא וַבקִילִיקִיָּא. אַחֵא דמִן עַממֵא שׁלָם.

E escreveram uma carta através deles, assim: Emissários e anciãos, irmãos, aos que vivem em Antioki, e em Suria, e em Qiliqia, irmãos que desde os povos são, Shalom.

24 שׁמִיע לַן דּאנָשִׁין מִנַּן נפַקו ודַלחוּכוֹן בּמִלֵּא. ואַהֲפֶּכו נַפשָׁתכוֹן כַּד אָמרִין: דּתִהווֹן גָּזרִין ונָטרִין נָמוֹסָא. אַילֵין דַּחֲנַן לָא פּקֶדְן אִנּוֹן.

Ouvimos que homens de nós saíram para perturbai-vos em palavras, e confundiram vossas almas quando disseram que seriam circuncidados e observariam a Namosa que de nós não ordenamos a eles.

25 מִטֹּל הָנָא אִתחַשַּׁבְן כֻּלַּן כַּד כּנִישִׁין חנַן וַגבַין גַּברֵא. ושַׁדַּרְן לוָתכוֹן עַם פָּולוֹס ובַרנְבָא חַבִּיבַין.

Sobre isto pensamos todos nós quando reunimo-nos, nós, e selecionamos homens, e enviamos [eles] a vós com Paulos e Barneba, os amados.

26 אנָשָׁא דאַשׁלֶמו נַפשָׁתהוֹן חֲלָף שׁמֵהּ דּמָרַן יֵשׁוּע משִׁיחָא.

Homens que deram suas almas por causa do nome do nosso senhor Yeshua, o Messias.

27 ושַׁדַּרְן עַמהוֹן לַיהוּדָא וַלשִׁילָא. דּהִנּוֹן בּמִלתָא נֵאמרוֹן לכוֹן הִנֵּין הָלֵין.

E enviaram com eles a Yehuda e a Shila, pois eles, em palavra, dirão a vós, eles, isto.

28 הֲוָא גֵיר צִביָנָא לרוּחָא דקוּדשָׁא ואָף לַן. דּלָא נִתּתּסִים עֲלַיכּוֹן יוּקרָא יַתִּירָא לבַר מִן הָלֵין דּאָלצָן.

Foi, pois, desejado ao Espírito do Santo e também a nós, que não coloquemos sobre vós peso excessivo, além disso, destes que são necessários:

29 דּתִתרַחֲקוּן מִן דַּדבִיחָא ומִן דּמָא ומִן חֲנִיקָא ומִן זָניוּתָא. וכַד תִּטרוּן נַפשׁכוֹן מִן הָלֵין. שַׁפִּיר תִּהווֹן. הֲוָו שַׁרִירִין בּמָרַן.

Distanciem-se do, pois, sacrifício, e do sangue, e do sufocado, e da prostituição. E quando observarem vossas almas desde estas [coisas], bem hão [de fazer], sereis firmes no nosso senhor.

30 הָנוֹן דֵּין דּאִשׁתּלַחו. אֶתָו להוֹן לאַנטיַכיָא. וַכנַשׁו כֻּלֵּהּ עַמָּא ויַהבו אִגַּרתָּא.

Eles então foram enviados, saíram a eles para Antioki, e congregou-se todo ele, o povo, e deram eles a carta.

31 וכַד קרָו. חֲדִיו ואִתבַּיַּאו.

E quando leram, alegraram-se e consolaram-se.

32 וַבמִלתָא עַתִּירתָּא חַיֶּלו לאַחֵא וקַיֶּמו אִנּוֹן. דּבֵית יהוּדָא ושִׁילָא מִטֹּל דּאָף הִנּוֹן נבִיֵּא הוָו.

E em palavras, muitas, fortaleceram aos irmãos, e levantaram-se eles dentre os irmãos, Yehuda e Shila, pois, que, também eles, profetas, eram.

33 וכַד הֲוָו תַּמָּן זַבנָא. שׁרָו אִנּוֹן אַחֵא בַשׁלָמָא לוָת שׁלִיחֵא.

E quando foram ali tempo, enviaram-lhes, os irmãos, em paz aos emissários.

34 [Não consta nos manuscritos aramaicos]

35 פָּולוֹס דֵּין ובַרנְבָא קָוִיו הוָו בּאַנטיוֹכִי. ומַלפִין הוָו וַמסַבּרִין עַם אחרָנֵא סַגִּיאֵא מִלתֵהּ דּאַלָהָא.

Paulos, então, e Barnabé, permaneceram, houve, em Antioki, e ensinavam com outros, muitos, as palavras dEle, de D’us.


Tradutor e Autor: Caio M. F. Rodrigues

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

PESHITA: NOTAS DE EDIÇÃO

<<O Ambiente Lingüístico do Novo Testamento

O Oriente Próximo em geral, Jerusalém em particular, tornou-se território de trânsito para povos inteiro em migração, foi por necessidade uma linguagem multilingüística onde os habitantes falavam mais que uma língua.  Durante a vida de Jesus existiram duas linguagens locais faladas e compreendidas pela maioria da população – o Hebraico e o Aramaico – e duas linguagens “internacionais”, o Grego e o Latim, faladas por pessoas conectadas com a administração civil romana e à cultura helênica.

O Hebraico Bíblico – que foi utilizado para escrever o “Velho Testamento” – não era mais falado, seu uso dava-se apenas na liturgia das sinagogas, embora poucos pudessem compreendê-lo. Ao mesmo tempo, uma variação desse hebraico era utilizada como língua corrente, comumente chamado “a língua dos sábios” ou “hebraico rabínico”, sem formas complexas e sentenças com estruturas simples. Esse segundo tipo de hebraico foi falado continuamente em Jerusalém e na área central de Israel até o final do terceiro século D.C (da Era Comum).

Ao lado do Hebraico foi o Aramaico, durante vários séculos, o vernáculo ao longo do território de Israel. Foi falado em muitas vilas e cidades, particularmente no norte (Nazaré, Cafarnaum etc.) onde Jesus cresceu e passou a maior parte da sua vida.

O evento relatado no evangelho escrito por Lucas (no cap. 4:16-30) nos leva a entender que Jesus foi familiar ao Hebraico Bíblico, no qual leu na sinagoga de Nazaré a passagem do livro de Isaías, esse anúncio público que necessitou do seu conhecimento de Hebraico Bíblico. As poucas palavras de Jesus adicionadas como comentários podem mais provavelmente ter sido em aramaico, a linguagem usada em sermões. Os judeus nos tempos de Jesus estiveram acostumados com a “liturgia bilíngüe”. Junto a essas duas linguagens o Grego, que chegou através do helenismo, foi a língua usada como o Inglês nos dias atuais. O Latim apareceu como a linguagem dos administradores romanos desde 64 B.C (Antes da Era Comum), quando a região foi conquistada pelos romanos. Nas cidades, pessoas cultas falavam duas línguas, como é testemunhado pelas inscrições que chegaram até nós.  Em vilarejos, tal como Nazaré e Cafarnaum, a principal língua, se não a única, provavelmente era o Aramaico.

A trilíngüe inscrição em Hebraico, Latim e Grego, escrita por Pilatos, fixada na Cruz de Jesus, citando a razão pela sua execução, é uma típica mostra da pluralidade lingüística na Judéia.

O Fundo Aramaico no Novo Testamento

Os livros do Novo Testamento em Grego em muitas partes preservaram expressões do aramaico em caracteres gregos (transliteradas), assim indicando o fundo semítico. Os nomes de certas pessoas e lugares podem ser traçados até o Aramaico original, como Barjonas ou Barrabás contendo a palavra “bar”, significando filho, a palavra que era incluída na frente do nome do pai. A cidade de Cafarnaum, embora com alguma dificuldade, vem de Cafar Nahum, significando vila de Nahum ou consolação; Aceldama em Atos 1:19 vem de HaqelDema, campo de sangue. Marta em Lucas 10:38, significa mulher, e Tabita em Atos 9:36, gazela.  O apelido “Cephas” corresponde a kef em Aramaico, que significa pedra, já Kefá significa “o/a pedra”.

O mais interessante são as palavras usadas por Jesus como registraram os evangelistas. Em Marcos 7:34, ephpata é o imperativo, como o aramaico da Peshita preservou, “itpatach”, significando “abra-se”. Talita qumi, escrito em letras gregas em Marcos 5:41, é “menina, levante-se”. A citação mais longa em aramaico é o verso de Salmos 22, em Mateus 27:46 e Marcos 15:34, dito por Jesus antes de morrer na cruz. Os primeiros cristãos –  que falavam aramaico – mantiveram essas palavras em suas memórias.

Que Aramaico?

Especialistas em Aramaico distinguiram um número de dialetos falados no Oriente Próximo durante a vida de Jesus.  Um pôde reconhecer sete dialetos em sete localidades: (1) Jerusalém e no interior, como é também em Qumran; (2) Sudeste da Judeia em EinGedi; (3) Samaria; (4) Galileia; o dialeto falado por Jesus, preservado na literatura rabínica, como nos Targumim e no Talmud de Jerusalém; (5) Transjordânia, encontrado em inscrições e mosaicos; (6) vilarejos  ao norte e sul de Damasco, onde é falado até hoje em Ma’alula; (7) ao longo do Orontes em nomes de vilas, incluindo antigas inscrições do Aramaico em letras gregas. A área em que o Aramaico é falado é restrita ao presente Estado de Israel, à Palestina autônoma, ao Líbano, à Síria e à Jordânia. O número aproximado de falantes do aramaico esteve próximo de três milhões.

Até hoje há a discussão se o original texto do evangelho foi em Aramaico ou em Hebraico. De acordo com relatos antigos, Mateus escreveu o evangelho em Hebraico, senão em Aramaico. Em adição às declarações dos Pais da Igreja, há uma tradição nas versões aramaicas edessenas, em relação aos manuscritos, de fazer uma inscrição no final do primeiro evangelho que diz: “Conclusivamente, é o santo evangelho, a proclamação de Mateus, o apóstolo, que falava o Hebraico da Palestina”.

Urfa, na Turquia, é o centro de onde um dialeto do Aramaico, chamado Síriaco, espalhou-se até a Índia. Seu nome original era Orhai. Foi chamada de Edessa após a conquista Alexandre, o Magno. Antes da era Cristã, o aramaico falado em Edessa atingiu um nível de muito refinamento. Lá os sábios judeus traduziram a Bíblia Hebraica para o Siríaco. Siríaco é a palavra grega para Aramaico. Junto a esses livros os cristãos adicionaram os livros do Novo Testamento. As controvérsias cristológicas do século V levaram à separação desse específico dialeto do aramaico entre o tipo oriental e o tipo ocidental do texto. Foi preservada em sua forma mais antiga e arcaica a versão oriental, de forma escrita, pela fala de acordo com a pronúncia oriental pelos cristãos chamados Nestorianos, Assírios ou Caldeus. A forma ocidental foi mantida pelos sírios que eram chamados jacobitas. Eles tinham sua própria escrita ocidental e também sua própria pronúncia, incluindo diferenças de vogais na fala e no estilo do vocabulário, usando mais palavras gregas.

Após o Concílio da Caledônia, em 451 d.C, os cristãos ortodoxos foram chamados de melquitas pelos monofisistas jacobinos. O termo “malkaya” em Aramaico significa realista, porque os ortodoxos aderiram ao concílio convencionado pelo rei de Constantinopla. Os ortodoxos melquitas falavam e usavam a mesma forma ocidental do Siríaco, mas abandonaram após o Árabe suplantá-la. Os jacobinos monofisistas preservaram a forma ocidental do Siríaco, e muitos dos que moram na Turquia e na Síria falam uma forma moderna do Siríaco ocidental.

Neste volume, o Aramaico do Novo Testamento e sua tradução segue o texto e a pronúncia fonética da versão Oriental da Peshita em uma versão em caracteres e vogais hebraicas. Foi copiada diretamente da edição “Mosul” impressa em 1887 – 1891, e reimpressa em Beirut, no ano de 1951, com o título em Aramaico e em Latim: Biblia sacra juxta versionem simplicem quae dicitur Pschitta. Peshita significa: simples ou planície.

Versões Siríacas da Bíblia

A Peshita consiste na Bíblia inteira, incluindo os apócrifos (deuterocanônicos), e vinte dois livros do Novo Testamento. Os livros canônicos da Peshita não incluem a “antilegomena” (livros cujo os autores são discutidos), 1ª e 2ª Pedro, 2ª e 3ª João, Judas e o livro do Apocalipse. O texto canônico da Peshita não inclue Jn 7:53-8:11, nem Lucas 22:17. Essas porções foram trazidas da versão harcleânica e adicionadas nas versões modernas da Peshita. Na região judaica da Palestina em que se falava aramaico, há porções da Bíblia que foram preservadas em quatro escritos. Esses escritos incluem os Quatro Evangelhos, Atos e as epístolas, como é lido nos serviços da Igreja Ortodoxa nos domingos e nos dias santos. Um número de Salmos foi encontrado no Livro das Horas. Três outras versões são o Siríaco Antigo, o Filoxeniano e o harcleano, os quais são fragmentos. O conjunto dos Quatro Evangelhos é uma única e contínua narrativa sem repetições ou discrepâncias composta por Tatiano, depois de 165 d.C. Esse é o Diatessarom. Ele os compilou em Siríaco, de acordo com Efrém, o Sírio. O Diatessarom se tornou o texto oficial para os Cristãos em Edessa por volta do fim do século V.

      A.    Versões Completas da Bíblia

1. A Peshita (Peshito na pronúncia Ocidental) é a única versão oficial usada nas Igrejas Orientais e Ocidentais que o usam o siríaco. Ninguém sabe quando o Velho Testamento foi traduzido para o idioma siríaco, mas devido aos elementos no texto, a tradução foi feita evidentemente por judeus para as leituras semanais (parashiot) do Pentateuco nas sinagogas. A tradução do Pentateuco pode ser muito antiga. Os mais antigos manuscritos datam do século V. Desde 1996, o Instituto Peshitta de Leiden está preparando uma edição crítica da Peshita.

    2. A versão do Aramaico Palestino. No quarto e quinto séculos, os cristãos na Palestina que falavam o Aramaico tinham porções da Bíblia, senão a Bíblia completa, em seu próprio dialeto que contêm elementos hebraicos. Isso é evidente nos livros da igreja que muitos dizem ter origem Grega em adição ao aramaico. A classe administrativa falava Grego. Até 1510 d.C, os escribas de vilas que copiavam livros litúrgicos da Igreja Ortodoxa Palestina faziam a cópia para seu dialeto judaico do Aramaico. O mais antigo existente, uma cópia de três livros do evangelho para leitura, foi terminado em 1187. Os jacobitas usavam apenas o Siríaco em seus livros. Na Síria e no Líbano, a Igreja Ortodoxa Oriental usava formalmente o Siríaco antes de adotar o Árabe.

      B.     Versões do Antigo Testamento

A versão Siro-Hexapla é atribuída a Paulo – o bispo de Tella, no norte da mesopotâmia – e é um texto do Antigo Testamento, que aparentemente tem como objetivo entrar em uniformidade com a Septuaginta. É uma tradução para o Siríaco do século V. Uma revisão dessa versão siríaca foi feita por volta de 725 d.C, e é atribuída a Jacó de Edessa.

      C.    Versões do Novo Testamento

1. A versão Siríaca Antiga. Essa é a versão mais antiga em siríaco havendo dois manuscritos contendo os quatro livros do evangelho. O mais antigo data do final do século IV, encontrado no monastério de Santa Catarina no Monte Sinai. É designado como Siro-sinaítico (Sys). O primeiro manuscrito é um palimpsesto do texto subjacente do evangelho. O outro data do quinto século e foi encontrado no deserto da Nítria – Egito – por Willian Cureton, que o publicou em 1858, e ficou conhecido como Siríaco-curetoniano (Syc). Esses manuscritos representam uma tradição textual antiga.

2. Filoxeniana. Essa versão é atribuída a Policarpo um chorepiscopus de Mabbug, escrito em 507 e 508, baseado em um texto grego, devido a um pedido de Filoxênio, o Bispo de Mabbug. Essa versão não foi preservada.

3. Harcleânica. O bispo Thomas de Harqel produziu sua própria versão em 616 quando ele estava em exílio na cidade de Alexandria, e revisou radicalmente a versão Filoxeniana. Ele minuciosamente manteve a mesma seqüência de palavras do texto grego e os elementos textuais. Isso inclui um aparato de símbolo diacríticos, obeliscos e asteriscos, o significado dos quais não é claro.

Sobre Teste Volume

Na tradução para o Hebraico nesta edição nós atentamos em seguir o aramaico o mais próximo possível, chegando mesmo a “forçar” o Hebraico ao máximo. A vantagem deste dialeto oriental, é que ele divide uma morfologia comum com o Aramaico da Judéia e da Galileia daquele período. Nós esperamos que a bilingüidade sirva como uma chave direta para o contexto semítico e judaico dos livros do Novo Testamento.

Certas letras que eram pronunciadas antigamente, mas hoje não são mais, são marcadas com o sinal ( ´ ), chamado mevatlana. Depois de uma vogal curta, a letra seguinte é germinada a ela. Letras guturais, como o Resh, e sons macios como o BGD-KPT, quando podem ser geminados após vogais curtas, são marcadas com o sinal (^^). Em muitas instâncias, contudo, onde muitas letras são germinadas, isso significa que ela não é pronunciada como uma consoante no começo de uma palavra quando ela é seguida da vogal “i”. Tais palavras são pronunciadas como se fossem começadas por Álef, e pronunciadas com “i”, como em “Yisrayel” – pronuncia-se: ISRAEL. A palavra “aykh” אַיך é pronunciada como “akh”, o acento tônico está na última ou na penúltima sílaba (mil’el). Palavras terminadas em uma consoante tem o acento na última sílaba, mas não quando a penúltima vogal é longa.

A respeito da palavra “Evangelho”, apenas a palavra aramaica “sevarta” é usada nesta edição, em vez da palavra Grega (euangelion) usada pela Peshita em 27 lugares. Também, o nome Kepha é mantido como no original, e não na forma trazida do grego “Petros”, que é encontrada na Peshita Oriental em apenas três lugares: Atos 1:13, I Pedro 1:1 e 2, II Pedro 1:1. A Peshita Tanakh (Velho Testamento) também usa do Grego palavras emprestadas, tal como “Namosa”, para Torá, mas também a palavra aramaica da Orayta, para pacto (ela usa ambas).

Periodicamente, no texto aramaico, a palavra “tsechacha” צחחא aparece seguida por um número em letras hebraicas. Isso indica a divisão original do capítulo.

Bispo Jacob Varday e Professor Messimo Pazzino

Jerusalém, Agosto de 2004>>



Esta Peshita se embasa na Tradição Oriental. Está em alfabeto Hebraico, junto à sua correspondente tradução ao idioma Hebraico  infelizmente não há uma tradução para o Inglês, muito menos ao Português. É vendida, no Brasil, por R$ 85,00 (http://www.ahebraica.com.br/novo-testamento/peshitta-ah.html).








Tradutor: Felipe S. Galhardo
Autor: Caio M. F. Rodrigues 

domingo, 18 de agosto de 2013

A DOUTRINA DO PECADO ORIGINAL É BÍBLICA???


A Doutrina do Pecado Original é Bíblica???


Introdução:

O mundo cristão hoje crê em uma doutrina criada pela igreja romana no qual condena todo ser humano a herdar o pecado de seus ancestrais, mas será que esta doutrina é bíblica??
Vamos dissertar um pouco sobre este assunto controverso, a palavra "Pecado" é um termo comumente utilizado em contexto religioso, descrevendo qualquer desobediência á vontade de D'us; em especial, qualquer desconsideração deliberada das Leis Divinas.

O cristianismo considera “pecado” qualquer ato que vá de encontro com os dogmas e doutrinas estabelecidas por sua religião, portanto, no cristianismo o termo “pecado” é muito relativo pois, engloba a quebra de qualquer mandamento religioso.

O que é pecado para o judaísmo?

O Judaísmo considera a violação de um Mandamento divino como um pecado, o judaísmo ensina que o pecado é um ato e não um estado do ser. A Humanidade encontra-se num estado de inclinação para fazer o mal:

Gênesis 8:21 “E Adonai sentiu o suave cheiro, e o Eterno disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz”.

Salmo 37:27 “Aparta-te do mal e faze o bem; e terás morada para sempre”.

O Judaísmo usa o termo "pecado" para incluir violações da Torah Sagrada, de acordo com a Enciclopédia Judaica, "O Homem é responsável pelo pecado porque é dotado de uma vontade livre; contudo, Ele tem uma natureza fraca e uma tendência para o Mal: "Pois o coração do Homem é mau desde a sua meninice" (Gên. 8:21).

Morte ou pecado original, o que herdamos afinal???

O judaísmo crê que todo ser humano nasce sem pecado, uma criança por exemplo, nasce inocente e sem inclinações para o mal, porém, com o passar do tempo e a medida em que sua consciência vai sendo formada, as inclinações para o mal começam a fazer parte também de sua personalidade espiritual, pois o mundo jaz no maligno e todos estamos sujeitos a sua influência, portanto, a única coisa que herdamos de Adão foi sua maldição que é a morte, conforme explica a Torá:

"E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: 'Não comerás dela'; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.... Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás" - Bereshit/gênesis 3:17 a 19

A terra foi amaldiçoada com a morte e esta morte passou a todos os homens conforme explica shaliach Shaul em Romanos 5:12 "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram"


Segundo a Torá, ninguém é culpado pelos pecados de seus pais, cada um é culpado pelos seus próprios pecados (ver D'varim/deuteronômio 24:16), logo, não existe o suposto "pecado original" herdado de seus pais, a pessoa adquire as inclinações para o mal no decorrer de seu desenvolvimento físico, mental e espiritual.

Qual é a origem da doutrina do pecado original???

Esta é uma doutrina cristã não bíblica, muitos usam o texto de Salmos 51:5 para justificar a teologia católica do pecado original, existem algumas igrejas cristãs que justificam o batismo de crianças através do texto deste Salmo, pois, se uma criança já nasce com pecado, ela deve passar pelo batismo para ser purificada dos seus pecados hereditários. Dizem se a criança morrer sem ser batizada ela vai para o limbo um lugar onde estão todas as almas inocentes que, sem terem cometido pecados mortais aguardam pelo o julgamento final.

A Torah declara que ninguém nasce já sendo um pecador, observem: “Sentiu Adonai o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a inclinação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer” Gênesis /Bereshit 8:21

A Torah declara que ninguém nasce já sendo um pecador, mas nasce com uma grande tendência para praticar o mal o Yetzer Ra´rá. O homem se torna um pecador a partir do momento que ele toma consciência do pecado. Vejam que a inclinação do coração do homem que é má desde a sua meninice e não desde o seu nascimento. Algumas traduções dizem que é desde a sua adolescência. Por isso, o judaísmo entende que um menino ou menina atinge a maturidade após os 12 ou 13 anos, e se torna consciente e responsável pelas  suas atitudes ao ponto de responder pelos os seus atos, então eles realizam uma cerimônia chamada de Bar Mitzvá.

Nesta declaração de David: “Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5) comentários rabínicos afirmam que David foi gerado através do pecado de sua mãe com seu pai. Podendo ser David um fruto de uma Fornicação de Jessé. Talvez isso possa explicar a rejeição que David tinha por parte de seus irmãos, David era o oitavo filho da descendência de Jessé. Parecia também que Jessé tinha vergonha de David, pois era fruto e vergonha de um ato de pecado, o próprio pai de David fazia questão de manter David isolado.

Um fator muito relevante com relação a este assunto é que quando o profeta Samuel recebe de D'us a ordem para ir à casa de Jessé e ungir o novo rei de Yisrael pelo qual seria o sucessor de Saul. Jessé apresenta a Samuel todos os seus filhos e D’us disse a Samuel que nenhum daqueles seria o seu ungido, por fim Samuel perguntou a Jessé se tinha apresentado todos os seus filhos e Jessé disse que ainda haveria um último, um garoto jovem, ruivo e formoso de semblante e de boa presença. David estava longe e cuidando de ovelhas, parece que Jessé queria esconder David de alguma forma, mas o profeta ordenou que fosse chamá-lo.
Então quem pecou??? O texto é claro quando diz: “Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe” Salmos 51:5, David foi formado em um ato de pecado de seu pai com sua mãe, e não que ele tenha nascido já um pecador, não é isto que o texto hebraico está querendo dizer, pois a mãe de David não poderia concebê-lo sem a semente de seu pai. O versículo abre um questionamento pelo menos para duas possibilidades, quando diz que David foi concebido em pecado, ele seria fruto de uma relação sexual ilícita de seu pai com sua mãe. Que relação poderia ser essa??? Fornicação que é o sexo antes e depois do casamento? Eu deduzo que não é sexo antes do casamento, pois David era o oitavo filho de Jessé e seu pai certamente era casado. Será então uma fornicação de Jessé com outra mulher que não fosse mãe dos outros seus 7 filhos? Importante lembrar que pouco se sabe sobre a mãe da David. Se David foi fruto de fornicação de seu pai talvez explique o fato de Jessé ter assumido a paternidade de David e poucas referências e fatos sobre a mãe de David.

Esses comentários podem explicar o fato de David ser o motivo de vergonha por parte de seus irmãos e de seu Pai. David parecia ser o opróbrio da família, pois estes não faziam muita questão da presença dele. David era ruivo! Aqui está denunciada uma possível diferença física de David e todos os seus irmãos. Será que isso foi o motivo da rejeição de Jessé por David? Outro caso é a historia do gigante Golias, em I Samuel 17:28 diz: “E, ouvindo Eliabe, seu irmão mais velho, falar àqueles homens, acendeu-se a ira de Eliabe contra David, e disse: Por que desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção, e a maldade do teu coração, que desceste para ver a peleja”

Eliabe, o irmão mais velho não suporta a presença de David quando ele vai ao acampamento saber mais sobre a guerra. Esse dentre outros textos demonstra que a presença de David incomodava seus irmãos, de modo que eles queriam vê-lo o mais distante possível. Claro, que não podemos afirmar que o fato de David ser rejeitado seja atribuído ao caso dele ser fruto de fornicação, mas é uma possibilidade e não podemos descartá-la, pelo menos eu não vi em nenhum texto David dando motivo ou provocando seus irmãos, eles implicavam com David simplesmente pela a presença dele.
Em nenhum momento o Tanach fala sobre o nome da mãe de David e de seus irmãos. Se ela era a mesma ou poderia ser outra. Particularmente creio que se porventura a mãe de David tivesse pecado, isso não anularia a misericórdia de D’us quanto ao seu pecado e ela seria como antes serva. Acredito que a mãe de David temia ao Eterno. Assim como David pecou com Bate-seba ele não deixou de ser o homem segundo o coração de D’us.

Os que afirmam que o tal pecado original existe só pela fato de nossos pais serem pecadores é algo que vai contra a Torah Sagrada, observe o que a Torah diz: "Os pais não serão mortos pelos pecados de seus filhos e nem os filhos serão culpados pelos pecados de seus Pais, cada um dará dará conta pelo seu próprio pecado" (Deuteronômio 24:16) e também no Tanach está declarado isto: "O que vocês querem dizer quando citam este provérbio sobre Yisrael: "Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotam? Juro pela minha vida, palavra de Adonai, o Eterno, que vocês não citarão mais esse provérbio em Yisrael. Pois todas as almas me pertencem. Tanto a alma do pai como a alma do filho me pertencem. A alma que pecar é que morrerá" (Ezequiel 18:2 a 4)

Adonai é um D’us justo, como Ele poderia julgar uma pessoa pelo pecado que ela não cometeu, se nós já nascemos com um pecado original herdados de nossos pais, então temos que ser julgados pelos nossos pecados e pelos deles também, porém Adonai diz que não é assim, cada um será julgado pelo pecado que vier a cometer no decurso de sua vida, o homem passa a pecar quando ele toma consciência do pecado, um bebê não tem consciência do pecado, portanto ele não pode ser chamado de pecador, a justiça de D’us é perfeita neste caso.

A teoria do "pecado original" não é bíblica, ela foi criada por um "pai/padre" da igreja romana chamado Agostinho de Hipona por volta do V século e.c., tendo uma base mais filosófica do que teológica propriamente dita, porém, esta doutrina vai totalmente contra os ensinamentos das Escrituras, a Bíblia ensina que o pecado não é hereditário, o pecado é uma violação da Torah do Eterno (ver I João 3:4), pois, o pecado é cometido, não é herdado. Ezequiel simplesmente diz que "o filho não levará a iniquidade do pai" (Ezequiel 18:20). Um homem tem que dar conta a D'us de suas próprias ações e não daquelas feitas por qualquer de seus ancestrais (ver Romanos 2:6; 14:12; e II Coríntios 5:10). A Bíblia também ensina que as crianças são sem pecado e que, para entrar no reino de D'us, temos que nos tornar como uma criancinha, de novo (ver Mateus 18:1 a 4; e 19:13 a 15). Paulo falou de um tempo quando ele estava vivo, antes que o pecado entrasse em sua vida (ver Romanos 7:9). Moisés falou de crianças que não conheceram nem o bem nem o mal (ver Deuteronômio 1:39). Yeshua nasceu de uma mulher e se tornou como seus irmãos em TUDO, entretanto ele não foi maculado pela culpa do pecado ou seja, Yeshua preservou sua natureza pura como a de uma criança durante toda sua vida, o que já não acontece conosco, se o pecado fosse hereditário, Yeshua teria nascido um pecador (ver Hebreus 2:14 a 18; e 4:15). Quando uma criança cresce, chega o tempo em que ela é atraída por seus próprios desejos, é tentada e peca (ver Tiago 1:14 e 15). Nesse tempo ela é culpada do pecado que cometeu diante de D'us e aí sim, ela necessitará da salvação ou salvador, antes disto, as crianças são puras, sem pecado e seguras aos olhos do Eterno.
Quando o padre Agostinho de Hipona criou a doutrina do "pecado original" ele sem saber criou também um grande problema para o Messias Yeshua, segundo esta doutrina, se todos herdam o pecado original, então o Messias também herdou o pecado de Adão, então, como um erro puxa outro erro, a igreja católica teve de criar uma outra doutrina para remendar a doutrina do pecado original, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria (que diz que, por milagre, ela nasceu sem a culpa do pecado de Adão) esta doutrina foi inventada para escapar da consequência, que Yeshua nasceu culpado de pecado, mas as Escrituras, em lugar nenhum, insinuam que o nascimento de Maria fosse de algum modo fora do comum, Yeshua nasceu sem pecado porque simplesmente a Bíblia declara que todos os homens nascem sem pecado, portanto, os bebês estão em segurança; eles não têm pecado.

O sexo entre casais casados é impuro???

Outro erro da teologia católica e cristã em geral é acreditar que todos somos gerados em "pecados" e que o ato sexual é um pecado mesmo entre casais casado, mas a Bíblia rebate esta heresia dizendo que o leito conjugal NÃO TEM MÁCULA, portanto nós NÃO SOMOS gerados em pecados: 

"Digno de honra entre todos seja o Matrimônio, bem como o Leito sem MÁCULA, pois o Eterno julgará os impuros e adúlteros" (Hebreus 13:4)


Todos nós somos gerados sem Mácula, adquirimos o pecado quando tomamos consciência dele e o praticamos, o fato de Yeshua ter sido gerado sem pecado não o faz diferente de nós, pois a Bíblia declara que em TUDO ele foi igual a nós: 

"E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, ha Satã......Por isso convinha que em TUDO fosse IGUAL aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo" (Hebreus 2:14 a 17)

A diferença entre nós e Yeshua está forma como ele foi gerado, sem o contato sexual de seus pais.

Conclusão:

A Bíblia não ensina que nascemos herdando um pecado original, este é um conceito humano e não bíblico, como a Bíblia relata acima nascemos sem Mácula, porém, somos tentados a pecar (ver Tiago 1:14 e 15) e assim conhecemos o pecado e passamos a ser considerados pecadores, o mesmo aconteceu com Yeshua com uma diferença, Yeshua decidiu NÃO PECAR, ou seja, Yeshua APRENDEU a OBEDIÊNCIA:

"Embora sendo Filho, ele aprendeu a OBEDECER por meio daquilo que sofreu; e, tendo sido APERFEIÇOADO, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem" (Hebreus 5:8 e 9)

Yeshua nasceu exatamente como nós, sem Mácula, em tudo foi TENTADO(ver Hebreus 4:15), mas decidiu não pecar, e assim ele foi APERFEIÇOADO no Espírito, é nisto que Yeshua se faz diferente de nós, ele decidiu não pecar enquanto que nós damos vazão aos nossos sentimentos pecaminosos, aí está o por quê de Yeshua não ser um deus, Yeshua foi aperfeiçoado, ou seja, ele NÃO NASCEU PERFEITO, pois só há Um Ser Perfeito em tudo, O Eterno D"us de Yisrael.


Rosh: Marlon Troccolli