terça-feira, 1 de setembro de 2015



A MALDIÇÃO DE JECONIAS

Introdução:

O judaísmo comum dito rabínico, tem todo o direito de exercer e praticar a religião que eles criaram para eles, mesmo estando afastados da verdadeira Fé Patriarcal, todos têm o direito de consciência de exercer a religião que escolheram. Entretanto, se utilizar de falácias e sofismas para denegrir a imagem de alguém, mesmo sabendo que isso é errado, nós repudiamos.

Os anti-missionário, seita judaica moderna que surgiu para combater o tal judaísmo messiânico, têm se utilizado destes expedientes na tentativa frustrante de provar pelo Tanach hebraico que o Rabbi Yeshua haNotzeri não é o Messias de Yisrael, o questionamento que eles fazem se baseia na seguinte premissa, Yeshua não pode ser o Messias devido a Sua descendência, que, segundo Mateus, passa por Jeconias (ver Mateus 1:12).

A maldição:

Em Jeremias 22:30 está escrito: 

"Assim diz o Adonai: Escrevei que este homem está privado de filhos, homem que não prosperará nos seus dias; porque nenhum da sua geração prosperará, para se assentar no trono de David, e reinar ainda em Judá"

Esta Profecia se cumpriu plenamente no que diz respeito ao Rei Jeconias, pois foi amaldiçoado por D'us por ser um mau rei e foi levado para o cativeiro babilônico pelo rei Nabucodonosor. Jeconias não retornou do cativeiro. Mas quanto a sua descendência, devemos notar algo, ele teve filhos:

"E os filhos de Jeconias: Assir, Sealtiel, Malquiram, Pedaías, Senazar, Jecamías, Hosama e Nedabías" ( 1 Cronicas 3:17-18)

Um dos seus Filhos, Sealtiel ( שְׁאַלְתִּיאֵל - que significa "Pedi a D'us"), foi o Pai de Zorobabel, de quem se diz no Tanach:

"Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Farei tremer os céus e a terra... Naquele dia, diz Adonai dos Exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, servo Meu, filho de SEALTIEL, diz o Eterno, e far-te-ei como um anel de selar; porque te escolhi, diz  Adonai dos Exércitos" (Ageu 2:21-23)

Também deve ser notado que segundo a Linhagem relatada em I Cronicas 3, como poderia haver uma descendência da onde surgiria o Messias sem passar por Jeconias? Notemos que o mesmo D'us que disse a Jeconias, por causa de sua maldade:

"...ainda que Conias(Jeconias), filho de Jeoiaquim, rei de Judá, fosse o anel do selo na minha mão direita, contudo dali te arrancaria" (Jeremias 22:24)

Agora fala de forma diferente a Zorobabel, por sua Fidelidade:

"... e far-te-ei como um anel de selar; porque te escolhi,  diz Adonai dos Exércitos" (Ageu 2:23)

Mas existe ainda o questionamento de que a Linhagem poderia continuar de Zedequias, irmão de Jeconias, mas também esta interpretação deixa a desejar como veremos a seguir.

Primeiro: Por que não registraram em I Cronicas 3:16 a Linhagem de Zedequias, e sim a de Jeconias?

Verso 1 = "E estes foram os filhos de Davi..."

Verso 16 = "E os filhos de Jeoiaquim: Jeconias, seu filho, e Zedequias, seu filho"

Verso 17 = "E os filhos de Jeconias: Assir, e seu filho Sealtiel"

Verso 18 = "Os filhos deste (Sealtiel) foram: Malquirão, Pedaías, Senazar, Jecamias, Hosama, e Nedabias"

Verso 19 = "E os filhos de Pedaías: Zorobabel..."

Segundo: Jeconias foi levado cativo e Zedequias (não seu irmão, mas seu tio) foi estabelecido em seu lugar pelo rei da Babilônia (II Reis 24:17). Agora observem o que é dito em Jeremias 24:1 ao 10:

"Fez-me Adonai ver, e eis dois cestos de figos, postos diante do Templo do Eterno, depois que Nabucodonosor, rei de Babilônia, levou em cativeiro a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, e os carpinteiros, e os ferreiros de Jerusalém, e os trouxe a babilônia.
Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro cesto tinha figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que eram.
E disse-me o Senhor: Que vês tu, Jeremias? E eu disse: Figos: os figos bons, muito bons e os ruins, muito ruins, que não se podem comer, de ruins que são.
Então veio a mim a palavra de  Adonai, dizendo: Assim diz o Eterno, o D'us de Yisrael: Como a estes bons figos, assim também conhecerei aos de Judá, levados em cativeiro; os quais enviei deste lugar para a terra dos caldeus, para o seu bem.
Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra, e edificá-los-ei, e não os destruirei; e plantá-los-ei, e não os arrancarei.
E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou Adonai; e ser-me-ão por povo, e Eu lhes serei por D'us; porque se converterão a mim de todo o seu coração.
E como os figos ruins, que se não podem comer, de ruins que são (porque assim diz Adonai), assim entregarei Zedequias, rei de Judá, e os seus príncipes, e o restante de Jerusalém, que ficou nesta terra, e os que habitam na terra do Egito.
E entregá-los-ei para que sejam um prejuízo, uma ofensa para todos os reinos da terra, um opróbrio e um provérbio, e um escárnio, e uma maldição em todos os lugares para onde eu os arrojar.
E enviarei entre eles a espada, a fome, e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais."

D'us mostra a Jeremias um Cesto de Figos bons e Ruins, os Bons são comparados aos que foram levados cativos (Jeconias e os teus), sobre quem o Eterno colocará os Seus Olhos e os Figos Ruins são os comparados ao Tio de Jeconias que ficou na Terra e o Eterno rejeitará como se rejeita os Figos Ruins! Ou seja, D'us, apesar de entregar Jeconias ao cativeiro, promete que parte deles voltaria e seriam abençoados:

"Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra, e edificá-los-ei, e não os destruirei; e plantá-los-ei, e não os arrancarei." (Jeremias 24:6)

Terceiro: Por que D'us abençoou e escolheu Zorobabel, que é Descendente de Jeconias, e não menciona nada sobre Descendentes de Zedequias?

Voltando a Jeconias, o inicio da declaração de Jeremias, trata de um homem sem sucesso, e este sucesso está atrelado à condição dele ter tido filhos! E daí que começam os sofismas dos anti-missionários, que é uma construção que propõe uma ideia falaciosa, um termo que vai de extremos, para propor uma ideia que conduza o leitor a entender errado o sentido do texto.
O enunciado está atrelado ao INSUCESSO de Jeconias, e não na mácula de sua descendência.

E em tal enfoque é usado o termo SEMENTE, para propor o completo fracasso de Jeconias. Vejamos a problemática de um foco mais amplo na própria profecia:

“Pela minha vida diz Adonai: Conias, filho de Joaquim, rei de Judá, ainda que você fosse um anel na minha mão direita, eu o arrancaria. Vou entregar você nas mãos daqueles que o querem matar, daqueles de quem você tem medo: Nabucodonosor, rei da Babilônia, e os caldeus.  Expulsarei você e sua mãe, aquela que o pôs no mundo, para um país onde vocês não nasceram. E aí, vocês morrerão. Mas para a terra aonde eles desejam voltar, não voltarão. Será uma vasilha imprestável, quebrada, esse tal de Conias, ou é um objeto que ninguém quer? Por que será que ele e sua família foram expulsos e jogados fora para uma terra que não conhecem?  Terra, terra, terra! Escute a Palavra de Adonai” (Jeremias 22:24-30)

Oras aqui literalmente inicia o enunciado da Maldição! O Eterno decide retirar Jeconias do trono, menciona pessoas importantes no contexto: O rei Joaquim e sua mãe. Joaquim já tinha sido morto/levado ao exílio pelos Egípcios em castigo pela sua rebeldia, e menciona sua mãe, e note no verso 26, há um castigo de expulsão a Jeconias e sua mãe e afirma que morrerão no exílio.
Na realidade a maldição lançada sobre Jeconias está atrelada ao mesmo fim para sua mãe, ou seja morrerem no exílio, ao fracasso total.
O enunciado das profecias anunciado em Jeremias 22:30 está aí na explanação do total fracasso de Jeconias,.

Atrelando a condição dele até aquele momento não ter tido filhos, pois neste período ele teria uns 18 anos aproximadamente, teve filhos no cativeiro e estes filhos tiveram destaque, mas não Jeconias, este passa despercebido no exílio e jamais voltou a Jerusalém

Logo a maldição homem desprovido de filhos, não está atrelado a maldição em sua semente, mas uma explanação inserida no Midrash que busca evidenciar a restauração da descendência de David. Mas vamos mais além, pois há mais passagens bíblicas em outros períodos do exílio que apontam para uma quebra na maldição, e tais passagens estão inseridas numa época 70 anos após a destruição do Templo.

Próximo ao tempo de Malaquias, o profeta Jeremias adverte esta questão do exílio como necessária para o bem daqueles que estavam no exílio. Sem me apegar a outros trechos, o foco deste capitulo é a utilização da figura do FIGO e dos cestos de figos, o qual a figura é que os judeus levados cativos, assim foi feito para o bem destes!! É a partir do capítulo 24 que o profeta menciona que os do exílio são bons, são fruto bom.
Mas isto inclui Jeconias? Claro que não, pois a maldição recai unicamente nele e sua mãe.


Os outros foram levados cativos como reflexo da “guerra”, mas e seus filhos? Eles estariam livres da maldição, já que a própria Bíblia menciona que toda maldição recai até a terceira ou quarta geração (reflexo da mesma), mas as bençãos do Eterno são por toda a Eternidade.

Conclusão:

A conclusão que podemos chegar é que D'us mudou a sorte da descendência de Jeconias, este rei cometeu pecados gravíssimos porém, por sua descendência haveria de passar o Messias de Yisrael, além do mais, Jeconias não gerou mais filhos estando em seu cativeiro, assim, não havendo nenhuma contradição em o Messias ser descendente do mesmo!


Rosh: Marlon T. Troccolli