quarta-feira, 17 de agosto de 2016

OS KETUVIM NOTSERIM




Os Ketuvim Notserim

Introdução:

A coleção de livros e cartas conhecidos no meio judaico nazareno como Ketuvim Notserim ou Escritos Nazarenos, vulgarmente denominado pelos cristãos de “novo testamento”, formam uma coleção de escritos deixados pelos seguidores de Yeshua e denominados pelos historiadores como testemunhas oculares pois, supõe-se terem sido escritos por aqueles que conviveram ou mesmo viveram no mesmo período (contemporâneos) dos discípulos do Messias.

O próprio Yeshua não escreveu absolutamente nada sobre sua vida e seus ensinos, tarefa assumida por seus talmidim. É pouco provável que os primeiros discípulos fossem alfabetizados tendo em vista que o índice de alfabetização no Império Romano por volta do primeiro século era baixíssimo. Muito mais na província da Galileia, uma das mais distantes e pobres de todo o Império. Nesta região onde Yeshua cresceu e pregou, ser alfabetizado era um luxo de poucas pessoas, algo restrito a nobreza e ao alto clero. 

Portanto, nas comunidades nazarenas do primeiro século as taxas de alfabetização eram baixíssimas, pois os primeiros seguidores do Messias vinham em sua maioria das classes mais pobres e menos letradas.
Por isso, as narrativas históricas que levam o nome de “evangelho” cuja autoria carregam nomes de alguns dos discípulos do Messias, nunca foram escritos por eles próprios, esta era uma forma de alguns autores anônimos darem créditos aos seus escritos, todavia, isso não invalida a autenticidade dos Escritos Nazarenos visto que, terem sido narrativas que contam relatos orais dos acontecimentos da vida e obra de Yeshua contadas por pessoas denominadas de testemunhas oculares.

As Primeiras narrativas:

As primeiras narrativas a serem escritas foram às Epístolas de Shaul haSheliach, denominadas pelos cristãos de “cartas paulinas”, estas foram escritas muito antes dos chamados evangelhos, aproximadamente uns 20 anos depois da morte de Yeshua. Shaul era  um homem bastante instruído, segundo o relato bíblico ele foi ensinado por um ilustre líder fariseu de nome Gamaliel, vejamos o relato de Atos:

“Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas educado nesta cidade, aos pés de Gamaliel, instruído segundo o rigor da Lei de nossos ancestrais, zeloso por D’us, assim como todos vós sois neste dia” (Atos 22:3).

A existência de Gamaliel como respeitado e influente Raban (título superior ao de  rabino) é confirmado pela Míxena que diz a seu respeito: 

“Quando Raban Gamaliel, o ancião, faleceu, cessou a glória da Torah, e pereceram a pureza e a santidade” (Sotah 9:15). 

Portanto, Shaul era um homem culto por ter estudado com alguém de elevado nível entre os judeus, ele teria todas as condições de escrever sobre a vida de Yeshua, mas ele se limitou a redigir apenas algumas cartas de aconselhamentos endereçadas a algumas Comunidades nazarenas da época. É válido se ressaltar que, o fato de Shaul nunca ter conhecido pessoalmente Yeshua não o desqualifica como um autor ilibado, visto que, ele ter conhecimento sobre as narrativas orais da vida de Yeshua que já circulavam no meio nazareno.

Quantos são os chamados “evangelhos”?

Embora a igreja romana tenha escolhido apenas quatro para compor a chamada coleção dos “evangelhos” considerando-os canônicos, porém, haviam outros, dentre os quais podemos citar o "Evangelho de Pedro", "Evangelho de Nicodemos", "Evangelho de Tomé", "Evangelho de Filipe", "Evangelho da Verdade", "Evangelho de Judas" (Iscariote), "Evangelho de Maria Madalena" entre outros.

Sempre lembrando que todos estes chamados "evangelhos" só possuem cópias tardias em grego, ou seja, as cópias que se tem deles são do ano 200 E.C. em diante. Nenhuma destas cópias dos evangelhos são da mesma época dos discípulos, entretanto, isto não significa que não haviam os originais escritos no período dos discípulos, o problema é que eles não foram encontrados ainda.

Presume-se que tais originais se perderam com o tempo pelo fato de seus autores terem usado um material (pergaminho) barato e de pouca durabilidade, também há quem acredite que estes originais estejam super guardados e que um dia serão revelados, ou ainda, na pior das hipóteses, a igreja de Roma os tenha destruído após ter feito várias cópias dos mesmos pois, havia uma ordem do imperador Constantino que se destruíssem toda e qualquer escritura que fosse contrária às que já haviam sido “canonizadas” pelos concílios ecumênicos.

Em que língua foram escritos os Ketuvim Notserim??

Este é um assunto muito polêmico no meio acadêmico, há questões e questões a serem levados em conta, alguns historiadores afirmam que os Escritos Nazarenos foram copiados originariamente em hebraico e aramaico, tendo em vista o testemunho de pessoas que viveram poucos séculos depois dos discípulos de Yeshua e que declararam haver pelo menos um evangelho escrito em hebraico, vejamos estes testemunhos:

Eusébio de Cesareia (3º século):  “...de todos os discípulos, Mateus e João são os únicos que nos deixaram comentários escritos e, mesmo eles, foram forçados a isso. Mateus tendo primeiro proclamado o evangelho em hebraico, quando estava para ir também às outras nações, colocou-o por escrito em sua língua natal e assim, por meio de seus escritos, supriu a necessidade de sua presença entre eles."

Orígenes (2º século): “Segundo aprendi com a tradição a respeito dos quatro evangelhos, que são os únicos inquestionáveis em toda Igreja de Deus em todo o mundo. O primeiro é escrito de acordo com Mateus, o mesmo que fora publicano, mas depois apóstolo de Jesus Cristo, o qual, tendo-o publicado para os convertidos judeus o escreveu em hebraico"

Irineu de Lyon (2º século): “Mateus, de fato, produziu seu evangelho escrito entre os hebreus no dialeto deles..."

Jerônimo (4º século):  “Mateus, também chamado Levi, e que de publicano se tornou apóstolo, primeiro de tudo produziu um Evangelho de Cristo na Judeia, na língua e nos caracteres hebraicos, para benefício dos da circuncisão que haviam crido, Não se tem suficiente certeza de quem o traduziu mais tarde para o grego. Ademais, o próprio em hebraico está preservado até hoje na Biblioteca de Cesareia que o mártir Pânfilo ajuntou tão diligentemente. Os judeus nazarenos, que usam este volume, na cidade Síria de Bereia, permitiram-me também copiá-lo”  (Obra de Jerônimo: “De Viris Inlustribus” [A Respeito de Homens Ilustres] – Capítulo III – Tradução do Texto Latino editada por E. C. Richardson e publicado na série – Texte und Untersuchungen zur Geschichte der Altchristlichen Literature — Volume, 14, Leipzig, 1896, páginas 8 e 9.)

Todos estes testemunhos são unânimes em afirmar que havia pelo menos um evangelho escrito em sua língua original hebraica, sabemos que o evangelho de Mateus não foi o primeiro a ser escrito e que, segundo os historiadores, os autores do evangelho de Mateus e de Lucas se utilizaram das narrativas do evangelho de Marcos para compor seus escritos, sendo assim, se foi produzido um evangelho em língua hebraica baseando-se em uma outra narrativa, com certeza o livro do qual o escritor se baseou também estava escrito em hebraico.

Assim concluímos que, se o Evangelho de Mateus, que foi baseado no Evangelho de Marcos foi escrito em hebraico, logicamente que o Evangelho de Marcos bem como o de Lucas muito provavelmente tenham sido escritos também originariamente em hebraico ou mesmo no aramaico. Válido é se ressaltar que atualmente sabemos que Lucas, autor do evangelho que leva o seu nome, era de origem siríaco de Antioquia (ver Eusebius; EccL. Hist. 3:4) e que escreveu seu evangelho justamente endereçado a um amigo seu de nome Theophilus que era um Judeu que foi sacerdote do ano 37 a 41 E.C. (ver Flavio Josefus; Ant. 18:5:3), também de origem siríaco convertido ao judaísmo nazareno, assim como Lucas o era, todos os sacerdotes falavam e escreviam em hebraico e aramaico, sendo assim, obviamente, sua linguagem nativa era o siríaco, isto é, um dialeto aramaico.

Os Ketuvim Notserim estão no mesmo patamar que o Tanach??

Aqui, mais uma vez nos deparamos com um assunto polêmico, não para nós, judeus nazarenos que vivenciamos o contexto hebraico e não sofremos a influência teológica de Roma, mas para os cristãos e também para aqueles que vieram para a Teshuvá egressos do cristianismo.

É do conhecimento de todos que, quando a igreja romana juntou, escolheu, elaborou, adulterou e canonizou uma coleção de livros ao qual deram o nome de “Novo Testamento”, seu objetivo único era fazer com que esta “nova” coleção de escritos tomasse o lugar do Tanach hebraico entre os cristãos, não foi a toa que o bispo Marcião criou esta nomenclatura “novum testamentum” fazendo com que Jerônimo classificasse o Tanach hebraico de “velho testamento” em uma clara demonstração de que o “novo” veio para substituir o “velho”.

Porém fica a pergunta: Era esta a proposta dos discípulos e, de maneira mais restrita, a do apóstolo Shaul? De considerar o Tanach (a Torah, os Profetas e os Escritos) como já superados e ineficazes?? Claro que não, todas as vezes em que Yeshua e seus discípulos faziam menção das Escrituras, estavam se referindo ao Tanach hebraico e não a um suposto “novo testamento” que nem existia na época.
É válido também se ressaltar que, em nenhuma de suas cartas Shaul se refere a elas como “escrituras inspiradas”, muito ao contrário, ele chama sim de inspiradas e sagradas as Escrituras do Tanach, vejamos:

“E que desde a tua infância conheces as Sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há no Messias Yeshua. Toda a Escritura  divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de D’us seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:15-17)

Da mesma forma o apóstolo Pedro também se refere ao Tanach como divinamente inspirados:

"Nenhuma Profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a Profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de D’us falaram inspirados pela Ruach haKodesh (espírito Santo)" (2 Pedro 1:20-21)

Os cristãos apegam-se a um único texto mal interpretado de Pedro para afirmarem que os escritos de Shaul também estão em pé de igualdade com as Escrituras do Tanach, vamos analisar este texto na íntegra:

“Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Shaul lhes escreveu, com a sabedoria que lhe foi dada. Ele escreve da mesma forma em todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2 Pedro 3:15-16)

Vamos considerar 2 pontos:
a) Pedro não disse em momento algum que os escritos de Shaul eram inspirados, ao contrário, ele disse sim que Shaul escreveu com a SABEDORIA que lhe foi dada e não com a “inspiração” que lhe foi dada. Pedro deixa bem claro que Shaul escreveu seus escritos porque era um homem sábio e culto, porque tinha sido instruído aos pés de um grande Rabbi e que por isso tinha a sabedoria para escrever conforme a Torah e o Tanach, até hoje os judeus chamam para os escritores do Talmude de “nossos sábios”, uma expressão muito comum no meio judaico e que Pedro a usou corretamente.

b) Pedro disse que os ignorantes torcem os escritos de Shaul da mesma forma como eles torcem as Sagradas Escrituras para destruição deles, aqui, Pedro está fazendo uma comparação de ATITUDE e não uma comparação de escrituras, é muito tolo o raciocínio de quem pensa que Pedro está pondo os escritos de Shaul em pé de igualdade com o Tanach, pois, por exemplo, quem torce as minhas palavras vai torcer também as palavras de qualquer um e, até mesmo as de D’us, é exatamente neste sentido que Pedro se referiu.

Um judeu precisa do “novo testamento” para reconhecer Yeshua?

A resposta bíblica é NÃO. O próprio Messias Yeshua disse que, quem quisesse saber sobre ele que pesquisasse na Torah, nos Profetas e nos Escritos, ou seja, no Tanach, vejamos:

“E começando por Moisés, passando por todos os Profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.” (Lucas 24:27)

“E disse-lhes: Foi isso que eu lhes falei enquanto ainda estava com vocês: Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito estava escrito na Torah dada a Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras” (Lucas 24:44-45)

“Vocês devem estudar cuidadosamente as Escrituras, porque julgam que nelas vocês têm a Vida Eterna. E são as próprias Escrituras que testemunham a meu respeito” (João 5:39)

Como vimos pelo próprio Messias, um judeu não precisa do “novo testamento” para reconhecer Yeshua como Messias, aliás, todos os judeus que se tornaram nazarenos se convenceram porque viram a figura do Messias exposta nas Escrituras do Tanach.

Conclusão:

Os judeus nazarenos costumam classificar as Escrituras da seguinte maneira: *Escrituras Ditadas, *Escrituras Inspiradas e *Narrativas históricas. A Torah Sagrada forma o grupo de Escrituras que foram ditadas pelo próprio Eterno, Adonai falava e Moisés escrevia, por isso costumamos dizer que a Torah não foi inspirada mas sim Ditada pelo próprio Eterno. Os Escritos Proféticos formam o grupo de Escrituras Inspiradas pela Ruach do Eterno, Adonai enviava sua emanação espiritual e os profetas escreviam por inspiração divina. Porém, os Ketuvim Notserim constituem-se em Narrativas Históricas sobre a chegada do Messias e seu ministério messiânico na terra, eles são o Testemunho do verbo que se tornou carne e habitou entre nós.

Os Escritos Nazarenos possuem o seu valor histórico e espiritual, portanto, devem ser considerados e respeitados como parte importante no processo de Teshuvá, pois narram o surgimento da primeira Comunidade nazarena, o Yisrael Remanescente que iria fazer Teshuvá segundo o profeta Isaías(ver Isaías 10:22) e mostra como viviam os nossos irmãos do passado, é o único documento histórico que temos sobre o nosso passado, mesmo que depois de tantas adulterações, o que implica em não ser confiável como regra de Fé e doutrinária, ainda assim testificamos sua autenticidade original.

Com a ajuda do Espírito do Eterno conseguimos vislumbrar a essência hebraica e o pensamento judaico por trás de tantas adulterações e acréscimos que infelizmente eles sofreram, por isso, é um ERRO GRAVE despreza-los em detrimento do que fizeram com eles, sabemos que Adonai não se deixa escarnecer e que por isso, toda a verdade virá à tona, e enfim, teremos de volta os Escritos dos nossos sábios em toda a sua pureza original na qual foram escritos.



Rosh: Marlon Troccolli

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domingo, 19 de junho de 2016

“Ide e fazei discípulos de todas as nações” Será??


“Ide e fazei discípulos de todas as nações” Será??

Introdução:

Este é mais um texto mal compreendido pelo cristianismo e suas seitas, mesmo porque não vimos nenhum discípulo de Yeshua fazendo discípulos dentre as nações pagãs existentes na época, muito ao contrário, durante o seu ministério Yeshua deu ordens expressas a seus discípulos para NÃO pregar para gentios pagãos e samaritanos, mas somente às Ovelhas da Casa de Yisrael:

"Yeshua enviou os doze, e lhes ordenou, dizendo: Não tomem o caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide somente às ovelhas perdidas da Beyt de Yisrael; E, ao irem, pregai, dizendo: O Reino dos Céus está chegando" (Mateus 10:5-7)

O Messias deixa bem claro que a Teshuvá deveria ser ministrada apenas ao povo de Yisrael, preparando-os para realizarem sua maior missão, ser Luz às nações.

A Missão do Messias:

Esta verdade ficou ainda mais clara quando o Messias foi procurado por uma mulher pagã de origem siro-fenícia (ver Marcos 7:26) e esta rogava-lhe que curasse sua filha que estava possuída por shedim, Yeshua deixou bem claro qual era a verdadeira missão de seu ministério:

“Então Yeshua lhe respondeu: Eu fui enviado SOMENTE às ovelhas perdidas da Beyt de Yisrael” (Mateus 15:24)

O Messias de Yisrael veio somente para resgatar as suas ovelhas que estavam desgarradas, era necessário que isso fosse feito pois, Adonai Eterno havia eleito o povo de Yisrael como nação sacerdotal e comissionou-os a ser Luz para as nações pagãs (ver Isaías 49:6). Havia uma profecia que dizia que nem todos de Yisrael iriam aceitar o Messias, mas que um grupo dentre os israelitas chamados de Remanescentes não só o aceitariam como também se converteriam:

“Porque ainda que o teu povo, ó Yistael, seja tão numeroso como a areia do mar, o Remanescente deste povo fará Teshuvá; uma destruição está determinada, plena de justiça” (Isaías 10:21)

Foram exatamente estes israelitas Remanescentes que o Messias resgatou e os enviou anunciando o Reino de D’us.

A Missão dos apóstolos:

Quando Yeshua terminou o seu ministério, ordenou novamente aos seus discípulos que fossem anunciar as mesmas palavras às ovelhas perdidas da Casa de Yisrael que estavam espalhadas por todo o mundo, é fácil notar pelo comportamento e mensagens dos apóstolos, você já se perguntou por que Shaul(paulo) quando viajava de cidade em cidade ensinando a Bessorat hatsalaah (boas novas de salvação), só procurava as Comunidades Judaicas e só pregava nas Sinagogas espalhadas pelo mundo??

"E logo nas Sinagogas pregava o Messias, afirmando ser ele o filho de D'us" (Atos 9:20)

"E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, e NÃO anunciando a NINGUÉM a Palavra de D'us, senão SOMENTE aos JUDEUS" (Atos 11:19)

"E, chegados a Salamina, anunciavam a Palavra de D'us nas Sinagogas Judaicas; e tinham também a João como cooperador" (Atos 13:5)

"E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da Pisídia, e, entrando numa Sinagoga Judaica, num dia de Shabat, assentaram-se" (Atos 13:14)

"E aconteceu que em Icônio entraram juntos na Sinagoga Judaica, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão, não só de judeus mas também de gregos convertidos ao D'us de Yisrael" (Atos 14:1)

"E passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma Sinagoga Judaica" (Atos 17:1)

"E logo os irmãos enviaram de noite Shaul e Silas a Bereia; e eles, chegando lá, foram logo à Sinagoga Judaica" (Atos 17:10)

"E todos os Sábados discorria na Sinagoga local, e convencia a judeus e gregos" (Atos 18:4)

"E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na Sinagoga local, dialogava com os judeus da Comunidade" (Atos 18:19)

"E, entrando na Sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, dialogando e persuadindo-os acerca do reino de D'us" (Atos 19:8)

Em todo o ministério de Shaul ele só pregava abertamente para a Comunidade judaica e nos locais onde eles se reuniam, ou seja, nas Sinagogas, apenas uma única vez Shaul ensinou num local gentílico, no Aerópago de Atenas e para gentios, isto porque um grupo de filósofos gregos o chamaram para ouvi-lo (ver Atos 17:19-20).

Quando os apóstolos escreviam as suas Cartas (epístolas) às Comunidades nazarenas que residiam no meio gentílico, eles se dirigiam no seguinte termo: "Ás doze tribos que se encontram na diáspora (dispersão)":

"Tiago, servo do Eterno, e do Senhor Yeshua haMashiach, às Doze Tribos que andam na Dispersão, saudações" (Tiago 1:1)

"Pedro, apóstolo de Yeshua haMashiach, aos peregrinos da Diáspora no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia" (1 Pedro 1:1)

As Congregações nazarenas organizadas pelos apóstolos fora dos termos de Yisrael eram consideradas Congregações da Galut (diáspora), por isso eram chamadas carinhosamente de “doze tribos da dispersão” pois eram formadas na sua maioria de judeus e gentios convertidos.

Conclusão:

O objetivo dessa ordem do Messias era que, tanto os israelitas que habitavam em Jerusalém como os que residiam na Diáspora fossem preparados para serem Luz aos gentios onde eles estivessem:

"Disse mais: Achas pouco o seres Meu servo, para Restaurares as Tribos de Jacó, e tornares a trazer os REMANESCENTES de Yisrael; também te constituí Luz aos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra" (Isaías 49:6)

A Palavra de D'us tem que ser proclamada do Povo Eleito para o mundo e não o contrário:

"E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da Beyt de Adonai no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão para ele todos os gentios. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte de Adonai, à Beyt do D'us de Ya’akov, para que eles nos ensinem os seus Caminhos, e andemos nas suas Veredas; porque de Tsion sairá a Torah, e de Jerusalém a Palavra do Eterno" (Isaías 2:2-3)

Há uma profecia nazarena que declara que os Remanescentes de Yisrael denominados Notserim, iriam ser os anunciadores da Palavra de D’us e conduziriam seus irmãos Efraimitas espalhados entre as nações de volta à Fé de Abraão:

כִּי יֶשׁ- יוֹם קָרְאוּ נֹצְרִים בְּהַר אֶפְרָיִם קוּמוּ וְנַעֲלֶה צִיּוֹן אֶל- יהוה אֱלֹהֵינוּ - Jeremias 31:6

Ky yesh-yom qareu Notserim behar Efraym qumu venaaleh Tsion El-Adonai Eloheinu – Jeremias 31:6

“Pois haverá um dia em que os Notserim anunciarão sobre o Monte de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Tsion, a Adonai nosso D’us” (Jeremias 31:6)

Esta profecia se cumpre hoje, por meio dos judeus notserim/nazarenos, ainda hoje anunciamos a Teshuvá do Eterno a todos, principalmente aos nossos irmãos efraimitas espalhados em todas as nações.
Portanto, a verdadeira Palavra de D’us, a Torah e os Profetas só serão proclamadas pelos legítimos comissionados pelo Messias de Yisrael, nunca e jamais por meio de uma religião pagã denominada cristianismo. A Palavra terá de sair de Yisrael para o mundo e não o contrário.

Um dos principais líderes de nossa Congregação no passado confessou publicamente que não só pertencia a nossa Comunidade mas que a nossa Fé Patriarcal baseava-se na Torah Sagrada e nos Ensinos dos Profetas, cumprindo assim a profecia:

“Verificamos que este homem (Shaul) é um perturbador, que promove tumultos entre os judeus da diáspora. Sendo ele um dos principais líderes da seita dos Notserim (nazarenos)..... Mas isto eu confesso que, segundo o Caminho o qual chamam de “seita”, assim sirvo ao D’us de nossos Patriarcas, crendo em tudo quanto esteja de acordo com a Torah e nos Ensinamento dos Profetas” (Atos 24:5-14)

Este é o verdadeiro povo do Eterno, este é o sinal identificador dos Remanescentes, possuem a Fé Patriarcal e têm seus ensinamentos baseados na Torah e nos Profetas, quem não se identificar com os Remanescentes estarão Fora da Tteshuvá:

“À Torah e ao Testemunho (profetas)! Se eles não falarem segundo esta Palavra, é porque a Luz não está com eles” (Isaías 8:20)

Baruch haShem!!!




Rosh Marlon Troccolli

domingo, 27 de março de 2016

REBATENDO O ENGODO RABÍNICO



Rebatendo o Engodo Rabínico

Introdução:

O judaísmo rabínico tenta de todas as maneiras dissociar as profecias bíblicas com os eventos ocorridos na vida e morte de Yeshua que cumprem perfeitamente estas referidas profecias, chegando ao cúmulo de até mesmo adulterarem certos textos do Tanach hebraico, isso é muito triste quando sabemos se tratar de um grupo religioso que se diz seguir a Torah e as Escrituras.
O objetivo deste pequeno artigo é mostrar a verdade dos fatos sem precisarmos recorrer a subterfúgios escusos pois, se há provas cabais de que houve um acréscimo tendencioso nas Escrituras faz-se necessário mostrarmos a verdade, doa a quem doer.

Sobre o texto Massorético:

Texto Massorético ou masorético é o texto hebraico da Bíblia utilizado com a versão universal do Tanach para o judaísmo rabínico, e também como fonte de tradução para o Antigo Testamento da bíblia cristã, inicialmente pelos católicos e, modernamente, também por tradutores protestantes. Em meados do século VI da era comum(depois de Yeshua), um grupo de escribas judeus teve por missão reunir os textos considerados inspirados por D’us, utilizados pela comunidade judaica, em um único escrito. Este grupo recebeu o nome de "Escola de Massorá". Os "massoretas" escreveram a Bíblia de Massorá, examinando e comparando todos os manuscritos bíblicos conhecidos à época. O resultado deste trabalho ficou conhecido posteriormente como o "Texto Massorético".
O termo "massorá" provém da língua hebraica  mesorah - מסורה, e significa "tradição". Portanto, massoreta era alguém que tinha por missão a guarda e preservação da tradição. Porém, infelizmente fizeram algo proibido pela Torah e pelas Escrituras, adulterar o texto Sagrado. A Torah e os Escritos são categóricos quanto a se fazer acréscimos nas Escrituras:

“Nada acrescentem às Palavras que Eu lhes ordeno e delas nada retirem, mas obedeçam aos Mandamentos de Adonai, o D’us de vocês, que Eu lhes ordeno” (Deuteronômio 4:2)

“Nada acrescentes às Palavras dEle, do contrário, Ele o repreenderá e mostrará que você é mentiroso” (Provérbios 30:6)

Infelizmente o fanatismo religioso tem levado muitos a cometerem este erro tanto por parte de judeus como de cristãos.

Leão ou Perfurar?:

Uma das principais refutações do judaísmo rabínico contra a messianidade de Yeshua é o texto do Salmo 22:17(16 nas bíblias cristãs) que, no texto hebraico massorético datado do século sexto da era comum está escrito “como um leão”. Este Salmo narra com riquezas de detalhes o sofrimento de Yeshua no madeiro porém, um texto indubitavelmente claro sobre a morte de Yeshua encontra-se no verso 17 da Bíblia hebraica onde o profeta declara que suas mãos e pés seriam perfurados, entretanto, esta afirmação não bate com o texto hebraico massorético o qual está escrito: “como um leão <atacam> minhas mãos e meus pés”, sendo que a palavra <atacam> não consta nem no texto massorérico  ficando por conta do tradutor, na verdade, no texto massorético fica assim: “como um leão minhas mãos e meus pés”, ou seja, completamente sem sentido.

De fato, a palavra כָּאֲרִי (kāʼărî) que se encontra no Salmo 22:17 (nas bíblias cristãs é o verso 16) do texto massorético usado pelo judaísmo comum, significam “como leão”, da mesma forma que em que aparece em Números 24:9; Isaías 38:13 e Ezequiel 22:25, isso é indiscutível. Mas, será que foi mesmo o substantivo אֲרִי (ʼărî - leão) que de fato foi escrito originalmente no texto do Salmo 22?? ou ele foi vergonhosamente adulterado, sendo que a versão original seria o verbo כָּאֲרוּ (kāʼărû)?

A diferença entre as duas palavras se dá trocando a letra hebraica yud (י) que aparece no final da palavra כָּאֲרִי (kāʼărî - como leão) pela letra hebraica vav (ו) que aparece no final de כָּאֲרוּ (kāʼărû - eles cavaram). Sem as vogais massoréticas kāʼărî se escreve assim כארי e kāʼărû se escreve assim כארו. A letra vav (ו) forma a terceira pessoa plural do verbo no passado, que os estudiosos dizem ser do verbo כָּרָה (kārāh) que significa: “cavar”, “escavar”, “perfurar mediante escavação”, e que outros dizem ser da forma verbal da palavra כּוּר (kûr) que significa “perfurar”, “traspassar”.

Evidências irrefutáveis:

Temos duas evidências históricas que comprovam que o texto massorético datado da idade média usado pelo judaísmo comum foi adulterado.

* Primeira evidência---> A Bíblia grega Septuaginta.
Septuaginta é a versão grega do Tanach hebraico traduzido por sábios judeus em Alexandria, entre 250 - 150 a.e.c.(*antes da era comum), visando a conveniência dos judeus de língua grega, eles traduziram o Salmo 22:17 de acordo com o que leram nos manuscritos hebraicos de sua época da seguinte maneira:

ὅτι (porque) ἐκύκλωσάν (cercaram-) με (me) κύνες (cães) πολλοί, (muitos,) συναγωγὴ (um ajuntamento de) πονηρευομένων (malfeitores) περιέσχον (rodearam-) με, (me,) ὤρυξαν (eles cavaram) χει̂ράς (mãos) μου (minhas) καὶ (e) πόδας. (pés.) - Salmo 22:17

Agora vejamos, no Texto Massorético Hebraico, as palavras כָּאֲרִי (kāʼărî - como leão), aparecem no Salmo 22:17; Números 24:9; Isaías 38:13 e Ezequiel 22:25. Com a exceção do Salmo 22:17, os tradutores da Septuaginta, traduziram as palavras כָּאֲרִי (kāʼărî) em Números 24:9 como ὡς λέων (como leão), em Isaías 38:13 como ὡς λέοντι (como leão) e em Ezequiel 22:25 como ὡς λέοντες (como leão). Isso só vem a provar, que os tradutores da Septuaginta, sabiam muito bem qual era a diferença que existia entre כארי (como leão) e כארו ou כרו (eles cavaram), que certamente foi o verbo hebraico verdadeiro que eles encontraram no Salmo 22:17 (16 nas bíblias cristãs) na família de manuscritos hebraicos que eles estavam usando em sua tradução naquela época muitos séculos antes de Yeshua nascer.

Se os tradutores da Septuaginta traduziram “...Eles cavaram minhas mãos e meus pés...”, é porque eles não quiseram fugir do significado literal do verbo hebraico que eles estavam traduzindo, que era כָּאֲרוּ ou כָּרוּ (eles cavaram), e por esse motivo, eles traduziram pelo verbo grego equivalente, que era ὤρυξαν (eles cavaram). Se o verbo hebraico fosse, por exemplo, דָּקָר (traspassar) eles teriam traduzido pelo verbo grego equivalente que é ἐκκεντέω (traspassar). Além do mais, os tradutores judeus da Septuaginta, não estavam tentando descrever a morte de Yeshua, pois eles sequer sabiam o que era isso, já que a execução na estaca foi criada muitos séculos mais tarde pelos romanos, hoje é que nós sabemos que o Salmo 22, é um Salmo profético, sendo também uma profecia messiânica, descrevendo de forma precisa o momento da morte do Messias.

* Segunda evidência ---> Foi encontrado um pergaminho entre os Manuscritos do Mar Morto, em Naḥal Ḥever, Qumran, o documento é designado como 5/6ḤevPs e faz parte de uma coleção de cinco que foi descoberto pela primeira vez em 1951 ou 1952, por Beduínos em Naḥal Ḥever, Qumran. Os estudiosos não haviam ainda examinado este pergaminho até meados de 1990. Este pergaminho foi escrito em hebraico quadrático herodiano, datando entre 50 e 68 a.e.c, e é mais de 1000(mil) anos mais antigo do que o representante mais antigo do Texto Massorético usado pelo judaísmo comum.

Neste pergaminho encontrado, o texto do Salmo 22:17 não está escrito כארי - kāʼărî como nos texto massoréticos mas sim כארו - kāʼărû igual o seu correspondente no texto da Septuaginta.
Concluímos então que os judeus massoretas ADULTERARAM a Bíblia trocando o Vav pelo Yod tirando assim o significado de "perfurar". 

Vejam abaixo  uma imagem do fragmento do Pergaminho encontrado em Qumran atestando que a palavra hebraica original é כארו - kāʼărû e não כארי - kāʼărî.



Conclusão:

Certa vez Yeshua declarou: “Não há nada que se faça em oculto que não venha  ser revelado” (Mateus 10:26). Na verdade Adonai Eterno já nos havia advertido no próprio Tanach que tais coisas poderiam acontecer, em que a pena mentirosa dos escribas desonestos que se dizem ‘sábios’ iriam causar confusão na mente de incautos:

“Como vocês podem dizer ‘Somos sábios, pois temos a Torah do Eterno’, quando na verdade a Pena Mentirosa dos escribas a transformou em mentira? Os sábios serão envergonhados; ficarão amedrontados e serão pegos na armadilha. Visto que rejeitaram a Palavra de Adonai, que sabedoria é essa que eles têm?” (Jeremias 8:8-9)

Adonai não se deixa escarnecer e sua Palavra sempre triunfará, a verdade sempre flui naturalmente, porque a verdade está com D’us, Ele é a própria verdade. Baruch haShem!!!




Rosh: Marlon Troccolli




sábado, 26 de março de 2016

O ORIGEM PAGÃ DA PÁSCOA CRISTÃ


A Origem Pagã da Páscoa Cristã

A Páscoa cristã celebrada até hoje pelas igrejas ditas cristãs nada mais é do que uma celebração pagã das tribos bárbaras nórdicas. Entretanto, se tornou o dia santo mais importante da religião cristã. Muitos costumes ligados ao período pascal cristão originam-se dos festivais pagãos da primavera.

A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como oferendas aos espíritos das florestas. Ovos de Páscoa pintados representam a fertilidade das deusas lunares. De fato, para entender o significado da páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos nórdicos europeus que, nesta época do ano, homenageavam a deusa Ostera, em inglês Easter que quer dizer literalmente Páscoa.

Ostera (ou Ostara) é a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. Portanto, o costume cristão de se presentear as crianças com ovos de chocolate super decorados é uma alusão a antigos rituais pagãos de oferendas aos espíritos. Ishtar ou Astarte é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica.

Na primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos mágicos da fertilidade e renovação a ela associados. A lebre (e não o coelho) era seu principal símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada à deusa.

Segundo uma lenda nórdica, a lebre de Ostera pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Ostera quase no mesmo período em que se comemora a Pêssach judaica, razão pela qual a igreja de Roma resolveu adotar este festival transformando-o na páscoa cristã. No concílio de Antioquia (341 e.c.) a igreja romana proibi a celebração da Pêssach judaica e em seu lugar estabelece a páscoa cristã celebrada até hoje.

Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou, novamente, o planeta Vênus). É uma deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Na Páscoa, é comum a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas que evocam os espíritos. Em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos pintados tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume permanece o mesmo.

Infelizmente este festival pagão dos cristãos é celebrado quase no mesmo período da nossa Festa de Pêssach, por isso, todo israelita deve afastar-se desses rituais para não se contaminarem, é aconselhável que não aceitemos suas oferendas de ovos e coelhos de chocolate para não trazer maldições para nossos lares.




Rosh: Marlon Troccolli





quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A NOSSA CULTURA HEBRAICA PATRIARCAL



A NOSSA CULTURA HEBRAICA PATRIARCAL


Introdução:

Muitos criticam os judeus e chegam a manifestar um certo preconceito devido sermos um povo de costumes e tradições bem diferentes, em nenhum povo na face da terra iremos encontrar costumes tão marcantes iguais aos costumes judaicos, sabem por que? Simplesmente porque foi o nosso próprio D’us quem nos deu este conjunto cultural tão rico e tão marcante assim.
Adonai nosso D’us nos instruiu detalhadamente em como deveríamos viver e nos comportar no mundo, a nossa herança cultural vem sendo preservada ao longo dos séculos tais quais eram no passado, passadas de pais para filhos. Cada detalhe dos costumes que praticamos representa e identifica a nossa crença ao Único D’us Verdadeiro, e isto é maravilhoso porque gera uma indagação por parte dos gentios em querer saber porque praticamos tais costumes.
Esta foi uma maneira muito sábia e estratégica do Eterno quando nos instruiu a cerca da nossa Cultura Patriarcal para que, por meio de nossos costumes e tradições, manifestarmos a Luz Divina ao mundo.

Costumes e Tradições da Cultura hebraica

A Sinagoga:


Em hebraico a palavra Sinagoga é Beyt Knesset e significa “Casa de Estudos”, o conceito de Sinagoga surgiu na Babilônia durante o exílio dos judeus, lá, na falta do Templo de Jerusalém que havia sido destruído por Nabucodonosor, os fiéis de Yisrael passaram a se reunir em um local reservado para cantarem, orarem e estudarem a Torah como diz o Salmo “se lembrando de Sião”. Até hoje este costume permanece seguindo a ordem do Eterno que nos manda estudarmos a Torah em Comunidade (ver Neemias 8:7).

O Kabalat Shabat:



É a cerimônia que dá início a celebração do santo Shabat, começa com o acendimento das Luzes do Shabat seguido de cânticos, orações e recitações contidas no Sidur(livro de liturgias), após as leituras ocorre o Kidush(ceia com pão e vinho) acompanhado por um jantar festivo, é um momento de muita alegria e devoção únicos em nosso meio judaico.

O Estudo da Parashá:



A Parashá ou parashiôt são porções da Torah e dos Profetas que são estudadas semanalmente em casa e explanadas em Comunidade na Sinagoga aos sábados pela manhã, conhecida na Bíblia como “As Lições da Lei e dos Profetas” (ver Atos 13:15).

O Kipá:



Kipá é a cobertura da cabeça inicialmente usada pelos sacerdotes por ordem divina, todo sacerdote deveria usar um turbante cobrindo toda sua cabeça em sinal de respeito e reverência para com o Eterno (ver Êxodo 39:28), mais tarde, com a falta do Templo o israelita substituiu os sacrifícios do Templo pelas preces e orações domésticas, assim surgiu o uso da cobertura na cabeça em memória ao serviço sacerdotal.

O Talit: 


É o manto muito característico de orações usado apenas por homens, possui listas verticais e cordões de fios azuis e brancos nos quatro cantos do manto conforme nos ordenou o Eterno (ver Deuteronômio 22:12). É a peça fundamental nas orações na Sinagoga e em casa. 
Há também uma variação de Talit um pouco menor chamado de Talit Katan, muitas vezes usado por dentro ou por fora da roupa.


O Tsitsit:

 


Os Tsitsiôt são fios azuis e brancos usados geralmente nos quatro cantos do Talit ou em nossos vestuários. Eles servem para sempre mantermos em lembrança  os Mandamentos do Eterno nosso D’us, e assim evitarmos cair em tentações e pecarmos ofendendo ao nosso D’us, conforme está ordenado na Torah (ver Números 15:37-40).

Os Tefilim:


Tefilin é o plural da palavra hebraica tefilá, que significa "prece ou oração", é o nome dado a duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal kashê, dentro das quais está contido um micro pergaminho com os quatro trechos da Torah em que se encontra o Shemá Sagrado, é usado preso na testa acima dos olhos e no braço direito conforme ordenado na Torah (ver Deuteronômio 6:8).

As Hagim Festas Bíblicas:


As Festas do Eterno foram ordenadas por Ele para simbolizar cada estágio da vida de um israelita diante de D’us. Também representa todo o ministério do Messias como o enviado do Eterno. É uma honra para nós celebrarmos cada Festa do Eterno pois, elas  simbolizam a nossa Comunhão e Aliança com Ele. São sete as Festas ordenadas pelo Eterno na Torah dentre as quais o Shabat, a Pêssach(páscoa), festa dos Pães sem fermento, festa de Shavuôt(pentecostes), festa de Yom Teruá(rosh hashaná), Yom Kipur(dia do perdão) e festa de  Sukkot(tabernáculos).
Ao longo dos séculos outras festas foram incorporadas a Tradição judaica como a festa de Purim, de Hanuká.

As danças típicas:


As danças típicas e folclóricas judaicas estão ligadas à vida agrícola do povo de Yisrael, assim representam uma parte de sua cultura. Grupos de danças sempre se apresentam nos dias de Festa.

Recitação diária do Shemá Sagrado:


O Shemá Yisrael é a síntese de nossa profissão de Fé, temos por costume recita-lo duas vezes ao dia, pela manhã e a noite, também é recitado em ocasiões especiais e no serviço litúrgico da Sinagoga, recita-se sempre com muita contrição e reverência.

A Mezuzá:


É uma caixinha de madeira ou cristal contendo parte da Torah onde tem o Shemá Sagrado, ela é afixada no caixilho ou umbral das portas das casas dos israelitas, do lado direito de quem entra, serve para mostrar que, os membros desta casa são servos do Eterno e obedientes a Torah.

Peyôt:


Os judeus mais devotos ou os ortodoxos(haredim) têm o costume de deixarem a extremidade da barba conhecida como “costeletas” crescerem mais do que o normal, assim, segundo eles, estariam cumprindo o que Adonai ordenou em Levítico 19:27

Conclusão:

Estes são apenas alguns dos principais costumes, dentro outros, praticados no judaísmo advindos de nossa herança cultural hebraica, nem todos praticam tudo, mas muitos praticam vários destes costumes que nos identificam como povo separado do Eterno.
Rejeitamos qualquer forma de introdução de elementos estranhos aos que Adonai nos deixou em sua Torah, não fazemos sincretismo cultural misturando parte de nossos costumes com os costumes das nações, Adonai deixou isto bem claro ao nos proibir adotar costumes das nações:

“E não andeis nos costumes das nações que Eu expulso de diante de vós, porque estas nações fizeram todas estas coisas; portanto me aborreci deles." (Levítico 20:23)

Somos um povo escolhido, possuímos uma herança cultural formulada pelo nosso próprio D’us, temos uma identidade única, somos chamado pelo Nome do Eterno por isso, temos uma grande responsabilidade em fazer brilhar a Luz do Eterno onde houver trevas.




Rosh: Marlon T. Troccolli